por Iasmin de Oliveira

Todo professor precisa, antes de tudo, ser um pesquisador. O docente nasce e renasce, todo dia, da pesquisa, seja ela de campo ou bibliográfica. É na análise, nos relatórios, nas leituras, na comparação de dados, no questionamento que se constrói a profissão. Como disse Paulo Freire (1996):

 

 

 

 

 

 

A prática da pesquisa científica pode parecer, para muitos, uma obrigação acadêmica necessária para a obtenção de títulos como graduação, mestrado e doutorado, ou um privilégio dos poucos que conseguem bolsa de iniciação científica, mas está longe de ser só isso. A pesquisa científica proporciona ao professor um exercício de diálogo crítico com a realidade. É a partir dela que a prática de ensino pode ser revista e reconfigurada, ganhando novos e frutuosos rumos.

Esse diálogo com a realidade é possível, pois o docente, ao pesquisar determinado assunto, acrescenta conteúdo à sua bagagem, estabelece um diálogo reflexivo entre a teoria e o objeto de investigação por ele escolhido e questiona como este pode ser executado de acordo com a realidade de ensino em que está inserido. Isso acontece, principalmente, quando associado a pesquisa de campo e bibliográfica, o que contribui para uma visão mais profunda do objeto pesquisado.

Essa atividade é um processo de produção de conhecimento profundo que se configura em ações investigativas, o que confere ao pesquisador o direito de ampliação e compreensão da realidade por meio da problematização das situações vividas e analisadas, levando-o à prática de organização de fontes, elaboração de projetos, diário de campo, relatórios, fichamentos, coleta de dados, e apresentação de resultados obtidos.

Contudo, a pesquisa também tem sua função prática. Muitas vezes, ela não se encerra na apresentação de resultados dos objetos analisados, mas serve como um gatilho para a mudança da realidade encontrada.

 

 

 

 

 

 

No entanto, não basta atentar-se para sua complexidade, se os espaços formativos não derem a devida importância a ela. Os espaços formativos são tanto a universidade quanto o ensino básico, ambos fonte de geração de conhecimento.

As instituições de ensino básico deveriam promover a pesquisa científica no meio docente e, assim, promover o crescimento de seus profissionais. Tal pesquisa poderia se estender, também,  aos discentes, de modo a inseri-los neste universo desde cedo, somando conhecimentos de ambos os lados, com o intuito de obter um único resultado, que confirme ou não a problemática gerada na construção da pesquisa. Dessa forma, ao chegarem na universidade, os alunos terão mais familiaridade e apreço pela pesquisa e não a verão como uma rival ou uma mera obrigação a ser cumprida.

É preciso olhar a pesquisa científica com os olhos do conhecimento, enxergá-la como uma potente aliada, pois esta não só agrega valor ao currículo, mas, sobretudo, à experiência de trabalhar teoria e prática juntamente com a reflexão crítica.  E estando inserida no meio da Educação atende, ainda, a outra função, a social, tendo em vista que estará frequentemente associada ao contexto social onde está vinculada e refletirá em novas práticas dentro de sala de aula.

Além disso, o exercício da pesquisa possibilita o pensamento crítico e criativo, o que se desdobra na forma com que o pesquisador passa a se relacionar e pensar sobre o problema-objeto de pesquisa-conhecimento e, consequentemente, em sua forma de ver o mundo, mais especificamente sua atuação como profissional, atuando com menos certezas absolutas, mas de maneira mais questionadora, uma vez que revê suas concepções pré-determinadas.

Diante do que abordamos, consideramos que a pesquisa precisa ser parte constituinte da formação acadêmica dos professores e, consequentemente, refletirá no seu processo de ensino. Ela é um componente necessário tanto para o aprimoramento das aulas quanto para o próprio aprendizado continuado do docente. Já é hora de dar mais valor e acesso a produção de pesquisa científica, pois ela tem o potencial de minimizar as desigualdades sociais e equiparar a distribuição de bens culturais.

Referências:

BEILLEROT, J. La formacion de formadores. Buenos Aires. Ediciones Novedades Educativas, UNBA, 1998.

FREIRE, P. Pedagogia da Autonomia: Saberes Necessários à Prática Educativa. EGA, 1996.