por Marcos Vinicius Zanutto

Assumir a responsabilidade de ser coordenador pedagógico em uma escola é um desafio e tanto, pois estar em sala de aula é completamente diferente de estar na gestão escolar. Ser formador de crianças, adolescentes e jovens é muito diferente de ser formador de parceiros, colegas de trabalho e de profissão. É um pensar na realidade sob uma ótica muito maior, com uma lente que amplia nossa visão e nos permite repensar a Educação como um todo.

 

 

É acordar muitas vezes pensando nos desafios que encontrará em sua escola, pois elas são espaços vivos, cheias de elementos, pessoas, vidas, histórias que se encontram em um único lugar, num determinado tempo. Ser uma das pessoas que une esses elementos, que direciona ações, que pensa em como alinhar e encaminhar tudo isso junto é um desafio maior ainda…

 

 

É, muitas vezes, acreditar que precisa ter solução para tudo, que não pode deixar ninguém sem resposta, pois aquela pessoa precisa de seu auxílio naquele momento…

Estar na coordenação é refletir bastante antes de cada formação para seu grupo docente, é estudar muito, passar horas preparando uma apresentação para o encontro, buscar constantemente diferentes estratégias, para que possam ser significativas para seus pares. Participar de diversas formações para desdobramentos nas escolas. É estar pensando sempre na melhor maneira de ser efetivo e reflexivo em suas propostas…

Coordenar uma escola, é mediar conflitos entre os alunos após o recreio, orientar aqueles que estão com dificuldades, atender pais e responsáveis, ter que, algumas vezes, intervir nos conflitos entre docentes. É ser uma das pessoas que a comunidade escolar procura, principalmente nos momentos difíceis…

 

 

É ajudar a preparar a escola para cada evento, cortar quilômetros de bandeirinhas de festa junina, buscar materiais para que tudo ocorra perfeitamente, imprimir imagens para uma mostra, preparar os crachás para uma saída pedagógica, montar listas, planilhas de acompanhamento e de evolução. É ser um dos primeiros a chegar num evento e um dos últimos a sair…

Estar na coordenação, é auxiliar na escolha de livros didáticos, verificar pilhas de diários de classe, passar horas em frente ao computador tentando fazer a grade de horário para que ela fique boa tanto para os professores, quanto para os alunos. É um tentar constante e persistente em organizar sua rotina frente à tantas demandas que surgem diariamente e inesperadamente e que precisam ser resolvidas.

E, em muitos momentos, estar na coordenação é vivenciar momentos de dificuldades, de não atingir as expectativas esperadas. Também faz parte dessa jornada, às vezes, encontrar resistências de alguns docentes, algumas burocracias que tomam seu tempo e o impedem de se dedicar mais ao seu papel de formador. É também cometer falhas e ter que aprender com os próprios erros.

Também é assumir essa responsabilidade, sem muitas vezes ter tido uma formação específica para essa função, que como já disse, é bem diferenciada da sala de aula. É preciso investimento das redes de ensino com formações e acompanhamento de pares mais experientes para que possa desempenhar mais e melhor o que lhe cabe.

Vale dizer que muitas escolas em nosso país ainda não contam com essa figura importante no seu cotidiano, sendo necessário pensar em políticas públicas que garantam que cada unidade escola possa ter essa pessoa dedicada à articulação e mediação do grupo docente e discente.

Porque, o SER coordenador, é uma pessoa extremamente apaixonada pela Educação. É um SER que acredita plenamente que a escola é a chave para toda transformação da sua comunidade, como da sociedade como um todo. Um SER que se permite viver tudo isso para que a escola possa ser cada dia um pouquinho melhor. Que dedica sua inteligência, talento e potenciais a todos que o cercam.

É uma pessoa que sente uma alegria imensa com as conquistas de cada estudante da escola, vibra com projetos bem-sucedidos de seus professores. Se alegra imensamente ao ver um evento acabar, ciente que ocorreu tudo bem e que contribuiu para que tudo acontecesse…

Acabar uma formação com seus professores e ter a certeza que conseguiu contribuir um pouco para a evolução deles. Que também conseguiu aprender muito com esse momento. É sentir a palpitação no começo de um encontro formativo direcionado por você e se alegrar em perceber que, ao final, conseguiu atingir os objetivos propostos.

É conseguir encerrar um atendimento com pais e perceber que pode contribuir com a vida daquela família, com suas orientações e aconselhamentos. É chegar em casa, esgotado, mas consciente que conseguiu semear, mais um dia para um mundo melhor…

Estar na coordenação é passar pelo processo de adaptação e seguir adiante, como todo profissional da Educação, persistindo e aprendendo cada dia um pouco mais. É errar, se ajustar, se adaptar e crescer profissionalmente. Só aqueles que fazem da resiliência sua companheira diária, conseguem seguir em frente e persistir tentando fazer o seu melhor.

Eu escrevi em meu outro texto, que todo aquele que já passou pela coordenação possui uma admiração muito grande por essa pessoa que se encontra nessa função no momento, pois sabe que mesmo diante de tantos desafios, esse profissional está lá, buscando se manter firme e forte, pronto para dedicar seu potencial a sua escola.

Registro meu reconhecimento ao esforço, empenho, dedicação e engajamento com sua comunidade. E desejo que todos os profissionais que o cercam, possam enxergar e reconhecer o mesmo, pois você é uma das peças fundamentais para a Educação desse país.

E quando se abater, se cansar ou entristecer, possa se lembrar de mim e dessas minhas palavras de encorajamento e afeto. Que se reerga e continue trilhando esse caminho que somente nós educadores conhecemos.

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