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por Silvana Tamassia

Engajar os alunos durante as aulas não é uma tarefa fácil. Muitas vezes, buscamos a participação de todos, mas nem sempre atingimos 100% dos alunos.

Quando falamos aqui de engajamento, não estamos falando só de estar atento à aula, mas de engajamento cognitivo, ou seja, participar ativamente por meio de ideias, opiniões e reflexões.

Para contribuir com os professores nesta tarefa, com o propósito de qualificar e potencializar sua prática em sala de aula, abordaremos aqui alguns desses desafios e que estratégias podem ser utilizadas de modo a favorecer o engajamento dos alunos durante as aulas.

Pensando na participação ativa dos alunos, LEMOV (2011) trouxe no seu livro Aula Nota 10[1] diversas técnicas que auxiliam nesta e em outras questões referentes à gestão de sala de aula.

A seguir, apresentaremos alguns fragmentos dessas técnicas para ajudar os professores a inseri-las em seu planejamento:

A técnica De surpresa indica que o professor faça perguntas aos alunos sobre o assunto em questão de maneira aleatória. É importante que sejam feitas uma pergunta que ajude a turma a entender melhor o conteúdo discutido, mas sem dizer o nome de quem irá respondê-las, nem chamar o primeiro que levantar a mão. Em vez disso, o professor faz a pergunta e, ao final, diz o nome do aluno cujo questionamento deverá ser respondido. Por exemplo: “Quais são as consequências do desmatamento das matas ciliares, Júlia?”

Ao fazer isso, o professor deixa todos os alunos na expectativa de serem chamados e os impulsiona a pensarem sobre a pergunta. Para maximizar essa participação por parte dos alunos, ele pode até dar um breve intervalo de alguns segundos entre a pergunta e o nome, para que os alunos possam ativar seus conhecimentos sobre o assunto, preparando-se para responder. Assim, mesmo os que não terão que responder em voz alta deverão pensar na resposta, proporcionando maior aprendizado para todos.

Surge, então, um novo problema: e se o aluno chamado não souber responder a questão?

Então, o professor pode fazer uso de outra estratégia chamada Sem escapatória. O nome parece um pouco estranho, mas a ideia é mostrar aos alunos que nesta aula todos serão chamados a participar e a aprender, que não há escapatória para o aprendizado!

A ideia é simples: sempre que o professor fizer uma pergunta e o aluno não souber responder, ele passa a outro aluno que possa ajudar, respondendo a questão. Depois disso, ele volta ao aluno inicial que não soube responder e pergunta a ele: agora você já sabe? Você pode responder, então?

Mesmo que, num primeiro momento, o aluno acabe apenas “repetindo” o que o colega anterior falou, o professor vai estimulando a participação e o aprendizado de todos e deixando claro a importância de estarem atentos ao que está sendo discutido na aula.

Veja um exemplo em ação acessando o link

https://youtu.be/t8jqg3YmZQM?list=PLiRvxKpahS16V0N1RElCLvmHVi0-7Gt2Z

Outro ponto que pode favorecer a participação de mais alunos na aula é dar tempo para que todos pensem após realizar uma pergunta. Esta é a técnica Tempo de espera.

Em vez de já escolher entre os que rapidamente levantam a mão, dê alguns segundos após a sua pergunta, estimulando os alunos a pensarem na resposta.

O professor pode, inclusive, estimular os alunos com frases do tipo: “Quem mais sabe a resposta? Quero ver mais mãos levantadas…”.

Essa ação simples pode contribuir muito com aqueles alunos que até querem participar, mas que não são tão disponíveis. Eles sabem que alguém mais rápido já virá com a resposta pronta, e isso faz com que se acomodem em sua condição, sem nem tentar ou sem sequer pensar sobre a questão levantada. Logo, o objetivo com essa estratégia é estimular cada vez mais que todos os alunos estejam realmente ativos durante a aula!

Em geral, os alunos participam pouco durante as aulas. Quando isso acontece, geralmente, é na interação com o professor, que vai trazendo novos conceitos e realizando questões para estimular a participação dos alunos ou em pequenos grupos com os colegas, durante a realização de alguma atividade.

Entretanto, outros momentos potenciais acontecem no decorrer da aula e podem ser utilizados de modo a levar os alunos a ouvir criticamente a opinião dos colegas e se posicionar com relação ao que está sendo discutido.

Como isso acontece?

Ao ter algum comentário feito por um aluno como resposta a um questionamento realizado, o professor pode chamar outro colega e dizer “Kátia, você concorda com o Alex? Em que ponto você discorda dele?”.

Essa é a técnica Tome posição. Ao elaborar argumentos para concordar ou discordar do colega, o aluno precisa colocar em jogo os seus conhecimentos e levantar hipóteses sobre o assunto, elaborando seu pensamento de maneira estruturada. Deste modo, todos ficam atentos, pois podem ser chamados pelo professor para se posicionar diante dos demais alunos da turma e ainda desenvolvem o seu potencial cognitivo.  

Durante a aula, os alunos têm momentos de maior engajamento e outros de menor engajamento. Mudar as estratégias durante o período ajuda os alunos a se manterem ativos durante toda a aula.

Uma boa estratégia, também, é criar um certo suspense, ou seja, “anunciar” O que vem por aí…., mais uma técnica do livro Aula Nota 10. Esta é uma estratégia para deixar todos curiosos com o que o professor planejou e que irão desenvolver em determinado momento da aula.

Mais uma vez, o objetivo é criar um clima que promova o engajamento de todos, na expectativa das atividades que virão pela frente.

Concluindo…

As ideias que trouxemos aqui têm como objetivo contribuir com os professores para aumentar o engajamento e participação dos alunos durante a aula, potencializando suas aprendizagens.

A intenção é, ao mesmo tempo, ter os alunos participando da aula, atentos aos comentários dos colegas e à fala do professor, possibilitando maior participação cognitiva de todos os alunos.

As estratégias apresentadas aqui foram trazidas, inicialmente, em 2011, na primeira edição do livro traduzida no Brasil. Em 2018, foi traduzida a segunda edição que trouxe novas técnicas e algumas adaptações, excluindo algumas delas e dando mais destaque a outras.

Para saber mais sobre o que trouxemos neste texto e ampliar os seus saberes acerca deste tema, convidamos você para a versão completa no livro.

Se você já utiliza estas estratégias, faça delas ações permanentes em sua rotina de sala de aula, garantindo a manutenção de uma cultura de participação dos alunos. Se ainda não as utiliza, pense na possibilidade de incluí-las em sua rotina, como estratégias que possam qualificar a aula e garantir a participação de todos!

Referências bibliográficas:

[1] LEMOV, Doug. Aula Nota 10: 49 técnicas para ser um professor campeão de audiência, 2011. Traduzido por Leda Beck. São Paulo: Livros de Safra, 2011.

LEMOV, Doug. Aula Nota 10: 49 técnicas para ser um professor campeão de audiência, 2011. Traduzido por Leda Beck. São Paulo: Livros de Safra, 2011.

LEMOV, Doug. Aula Nota 10 2.0: 62 técnicas para melhorar a gestão da sala de aula. Tradução: Marcelo de Abreu Almeida, Sandra M. Mallmann da Rosa; revisão técnica: Fundação Lemann, Elos Educacional, Centro de Excelência e Inovação em Políticas Educacionais. 2.ed – Porto Alegre: Penso, 2018.