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por Alex Moreira

Essa é uma pergunta que ouvimos frequentemente quando estamos dialogando com diretores, coordenadores pedagógicos, técnicos de secretária de Educação ou até mesmo com professores ao se referirem sobre as dificuldades vividas durante o processo de ensino e aprendizagem, uma vez que vivenciam a ausência de engajamento de alguns estudantes com as atividades propostas em sala de aula. Respeitadas as devidas peculiaridades de cada um dos atores citados, essa mesma dúvida segue pairando no ar: como manter equipes de trabalho engajadas?

Por vezes, esse questionamento vem ancorado em falas do tipo: “mas ele/ela é muito resistente ao novo”, “motivação é algo pessoal, não há o que fazer”, “já tentei de várias maneiras, mas não tive sucesso em fazer com que trabalhem juntos e engajados”.

Reconhecemos a legitimidade de todas essas falas e o quanto é desafiador construir equipes que trabalhem com alto engajamento e foco em um objetivo em comum.

Gestores escolares alegam falta de engajamento de alguns professores com a proposta pedagógica da escola. Professores alegam baixo engajamento dos alunos com as atividades em salas de aula e técnicos se desanimam ao ter de lidar com a falta de engajamento dos gestores escolares com as propostas implementadas pela secretaria de Educação. Mas, como então gerar esse engajamento? Um aspecto inicial é preciso ponderar: não há receita de bolo, bala de prata, muito menos fórmula mágica, porém há caminhos que podem contribuir com a construção desse valor nas equipes de trabalho e até mesmo nas salas de aula, listamos alguns deles logo abaixo:

Pode parecer óbvio, mas a presença de uma liderança, seja o professor em sua sala de aula, o gestor com a equipe de professores e funcionários da escola ou o técnico em sua equipe de trabalho, é fator crucial para o engajamento daqueles que estão sendo liderados. Liderar processos e mudanças nos ambientes de trabalho exige energia, resiliência e foco no objetivo estabelecido, características essas que são estruturantes no papel e atuação de um líder que esteja buscando, por exemplo, a melhora da aprendizagem dos alunos, do processo de acompanhamento pedagógico das escolas ou da qualidade das aulas ofertadas.Cabe dizer que liderança é algo possível de ser desenvolvido, exige estudo e treino, e a presença de um líder inspirador junto às essas equipes possibilita aumentar o engajamento de todos.

Sentir que é parte de um todo, que aquilo que pensa tem valor para o grupo e que sua opinião contribui para o trabalho que é feito por todos, aumenta consideravelmente o engajamento das pessoas com as decisões que são tomadas. O inverso disso, como se sentir invalidado e pouco valorizado, aumenta a falta de conexão do indivíduo com a ação que está sendo realizada e consequentemente diminui o engajamento. No entanto, como aumentar o sentimento de pertencimento? Abrindo espaço para que as pessoas possam opinar, exercitando a escuta ativa e cuidadosa de todos, acolhendo as falas que são trazidas, transformando em ações as propostas que são sugeridas pelo grupo e criando espaços de conexão e fortalecimento de vínculo entre as pessoas da equipe. Todos esses aspectos têm relação direta com o aumento do pertencimento ao grupo e, logo, potencializam o engajamento.

Decisões unilaterais e exclusivamente verticais contribuem pouco para o aumento do engajamento das pessoas com o trabalho que está sendo proposto. Abrir canais de participação para todos os envolvidos e de tomada democrática de decisões cria a percepção de partícipe do processo e gera corresponsabilidade com as decisões tomadas, fortalecendo o desejo das pessoas de que as ações que serão realizadas pelo coletivo ocorram da melhor maneira possível. Produzir processos democráticos de tomada de decisão dá  trabalho exige maturidade das pessoas envolvidas e leva mais tempo do que o uso hierárquico da autoridade nessas deliberações, porém produz efeitos mais perenes e reforça o engajamento das pessoas com as decisões tomadas.

Estudos recentes apontam para a necessidade de maior autonomia por parte das pessoas em seus ambientes de trabalho. Isso não significa dizer não ser possível atuar de maneira a respeitar as hierarquias existentes, mas que os líderes na sociedade contemporânea precisam estar atentos para a necessidade da criação de mecanismos nos quais as pessoas possam se organizar de maneira autônoma na solução de alguns desafios existentes. Produzir equipe de trabalho autogerenciadas também não é missão fácil, pois nossa mentalidade, em grande parte, foi construída e ainda reside em um modelo industrial e fabril de produção, ou seja, cada um deve ser responsável por realizar apenas uma tarefa e deve depender sempre de que alguém delegue a ele aquilo que precisa ser feito. O desejo de maior autonomia está cada vez mais presente nas novas gerações que estão ocupando posições no mundo do trabalho, isso em todas as áreas e não apenas na Educação. Desejo esse que, quando atendido, tende a aumentar o engajamento com a tarefa a ser executada. A dúvida que fica é: como construir equipes autogerenciadas? Propomos:

Esses são alguns dos caminhos e é preciso arriscar.

É extremamente desafiador produzir engajamento das pessoas em equipes nas quais cada pessoa está focando em um objetivo diferente, isso produz o efeito similar ao de ter várias pessoas em um mesmo barco que insistem em remar para lados opostos. Ter um mesmo objetivo validado, uma missão, visão e valores que orientem a todos, um projeto pedagógico claro e bem definido ou um plano de ação que conduz todo o grupo produzem a sinalização do que precisará ser feito e comunica com transparência o que se espera de todos e de cada um, elementos esses, que quando bem orientados, fortalecem o engajamento das equipes.

Referências

BALDONI, J. 101 Dicas práticas de liderança: técnicas, ferramentas e estratégias indispensáveis. Rio de Janeiro: Sextante, 2014.

LALOUX, Frederic. Reinventando as organizações: um guia para criar organizações inspiradas no próximo estágio da  consciência humana. Curitiba: Voo, 2017.

MACUCCI, José Valério. Liderança para novos gestores. Curitiba: IESDE Brasil SA, 2007.

SILVA, Flávio Augusto da. Geração de valor 2. Rio de Janeiro: Sextante, 2015.

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