Confiança

 

Por Adriana Rieger

 

Você já parou para pensar sobre o que é confiança? Como se constrói uma relação de confiança? O que faz com que se tenha confiança em alguém ou alguma situação? Nosso nível de confiança é o mesmo independente da pessoa ou situação?

Este é um tema que provoca muitas reflexões e envolve valores pessoais e sociais.

Segundo Misztal (1996), confiança é um conceito e um processo em que existem três elementos:

  • alguém que confia;
  • alguém que é confiável;
  • aquilo que é confiável.

Para Alícia Razeto (2017), confiança é um valor social que pode se manifestar de três maneiras interrelacionadas:

  • como propriedade dos indivíduos, ou seja, uma característica da personalidade;
  • como propriedade das relações interpessoais, atributo coletivo que permite atingir determinados objetivos de grupo ou organizacionais, a confiança interpessoal;
  • como propriedade do sistema social e valor público, a chamada confiança social.

Tendo como premissa estas definições, que tal refletirmos sobre como se constrói uma relação de confiança?

Confiança

Primeiro é preciso destacar que uma relação de confiança é fruto de uma construção que envolve a expectativa positiva no comportamento do outro por parte da pessoa que confia e ao mesmo tempo, a aceitação por parte de quem confia, da condição de ser vulnerável perante o outro em quem confiou. Não é tão simples assim confiar, afinal, quando se confia há a entrega, pois a expectativa é a de que seremos acolhidos em nossas vulnerabilidades.

Dessa forma, há pessoas que nos inspiram confiança e outras que nos causam o contrário, a desconfiança, que segundo Lewicki (1998), pode ser entendida como uma expectativa negativa sobre o comportamento alheio atrelado à crença de que o outro possui intenções prejudiciais, o que acarreta o consequente desejo de se proteger dos efeitos de seu comportamento, entendido não apenas como ações, mas também como palavras e intenções.

Quando nos detemos em analisar sobre o que nos faz confiar em alguém, podemos ponderar algumas motivações importantes, como:

  • quando a pessoa demonstra preocupação genuína;
  • quando a pessoa tem coerência entre os valores comunicados e as ações;
  • quando há espaço para pontos de vista divergentes, abertura para troca de ideias e pensamentos;
  • quando oferece confiabilidade por cumprir com suas decisões e promessas;
  • quando demonstra competência para realizar uma tarefa como o esperado.

 

Ainda segundo Razeto (2017), confiança consiste, em partes iguais, de dois elementos importantes: caráter (que trata do nosso jeito de ser) e competência (que trata da nossa maneira de fazer). A partir dessa afirmação, essa construção implica em diferentes níveis:

  • Autoconfiança – parte da capacidade de definir e alcançar objetivos, cumprir compromissos e demonstrar pelo exemplo. A essência deste primeiro nível de confiança é a credibilidade.
  • Confiança relacional – refere-se ao estabelecimento e desenvolvimento de links baseados em confiança usando comportamentos consistentes.
  • Confiança organizacional – esta é a confiança que os líderes promovem em organizações e equipes. A importância desse tipo de confiança é fácil de entender, especialmente se você já trabalhou em lugares em que as pessoas e sistemas promoviam a desconfiança.
  • Confiança no mercado – essa é a confiança gerada no mercado pela marca da instituição ou por nossa própria marca pessoal. O princípio básico que sustenta este nível é a reputação.
  • Confiança social – baseia-se no valor que somos capazes de criar nos outros e na sociedade como um todo, o nosso grau de contribuição.

Recentemente nos debruçamos sobre o estudo do tema com os participantes do curso Formação de formadores. Um dos textos base para este estudo apresentou oito pilares para a construção da confiança ressaltando que para alcançarmos melhorias contínuas e o fortalecimento destes pilares, se faz eminente a implementação de uma cultura de confiança.

São eles: clareza, compaixão, caráter, competência, compromisso, conexão, contribuição e consistência.

David Horsager (2015), especialista nos estudos sobre confiança e como ela está integrada em tudo, postula que indivíduos, especialmente líderes, são o canal da confiança e que não depende de nenhuma organização em especial, mas sim, da nossa coragem em agir e ser confiável e representando um convite para que outros sigam.

E então, como anda seu grau de confiabilidade? Você tem inspirado confiança?

 

 

Adriana Rieger

 

Referências

AZIZ,  Cristina dos Santos. La construcción de relaciones de confianza y su evaluación: Desafíos y oportunidades para el fortalecimiento de la educación pública en Chile. Nota Técnica Nº 4. LIDERES EDUCATIVOS, Centro de Liderazgo para la Mejora Escolar: Valparaíso, Chile.

 

RIZETO, Alícia. Más confianza para una mejor escuela: el valor de las relaciones interpersonales entre professores y diretor. Montevideo: Cuadernos de investigación educativa, vol8, nª1, 2017.