por Alex Moreira Roberto

A nova realidade instaurada tem produzido muitas incertezas em todos nós. Inseguranças em relação aos nossos trabalhos, receio de que a situação sanitária se agrave ainda mais, que possamos perder pessoas que amamos, entre tantos outros medos.

Em cada município e estado as orientações sobre o período de quarentena e suspensão das aulas presenciais têm tido as suas especificades, porém uma dúvida similar tem acometido muitos gestores: como retomar a rotina da escola quando as aulas voltarem?

Pensando sobre esse e outros temas relacionados, algumas conversas e reflexões têm sido feitas virtualmente, por diferentes organizações, com o intuíto de auxiliar e preparar as pessoas para passar por esse momento da melhor maneira possível.

Foi com esse propósito que recentemente ocorreu o Webinar “Liderança escolar em contexto de crise” realizado pela Universidade Diego Portales no Chile e conduzido pelos especialistas José Weinstein e Carlos Sandoval.

Inspirado em alguns dos principais aprendizados construídos durante a participação nessa conferência, nesse texto, sugerimos dicas importantes que podem auxiliar os/as diretores(as) a realizar esse processo de retomada da rotina de maneira a acolher toda a comunidade escolar nesse momento tão difícil.

 

Cuide de que equipe gestora, professores, funcionários, estudantes e familiares estejam informados sobre como será o processo de retomada da rotina, de que tenham canais para sanar dúvidas existentes e de que essa comunicação seja feita de maneira acolhedora, objetiva e transparente.

 

 

Nesse momento de retomada das aulas é comum ter ansiedade por parte das pessoas, sejam alunos, professores, familiares ou funcionários. Depois de tanto tempo sem aulas presenciais e tendo o ano letivo já avançado bastante é momento de definir o que será priorizado na proposta pedagógica, quais ações serão foco do trabalho a ser feito, e para isso é preciso reconhecer que não será possível dar conta de tudo que havia sido planejado no início do ano.

 

 

Para realizar esse processo de priorização é preciso coletivamente pensar   junto no que é essencial nessa retomada da rotina, o que será ponto de atenção de todos, quais os objetivos de aprendizagem que serão desenvolvidos, pactuando com todo o grupo a distinção do que está sendo feito e o quão essencial será essa priorização tendo em vista o momento vivido por todos. Realizar essa diferenciação deixa tudo mais claro e diminui a ansiedade da equipe.

 

 

 

Tendo claro o trabalho que será feito é preciso ter sempre em mente a importante de cuidar do bem-estar das pessoas. Alguns pais poderão ter perdido seu emprego, estudantes, professores e funcionários poderão ter perdido pessoas conhecidas e esse cenário exigirá maior sensibilidade na condução das ações. Realizar uma acolhida do grupo, abrir espaços para que possam falar sobre suas emoções e garantir que a escola seja lugar de união dessa comunidade pode aumentar consideravelmente a sensação de bem-estar e auxiliar a todos e todas nessa retomada da rotina.

 

 

 

Novos arranjos serão necessários e será preciso criatividade e flexibilidade. Diferentes ideias de como fazer as coisas e realização de ajustes auxiliarão a criar uma nova rotina e uma nova normalidade dentro do atual contexto. Abrir-se para outras possibilidades de fazer o trabalho auxiliará a lidar com as mudanças ocorridas, sempre mantendo a segurança e bem-estar das pessoas. Ouça as sugestões que forem feitas, pesquise novas maneiras de agir e muitos aprendizados poderão ser construídos nesse momento tão desafiador.

Costumo dizer que “ninguém dá o que não tem”, ou seja, esse momento vai exigir muita energia e vitalidade por parte do/da diretor(a) e para isso é muito importante que ele/ela reserve momentos para se munir de informações confiáveis, experiências exitosas que possam estar sendo colocadas em prática e energia positiva para poder liderar esse processo de reabertura da escola.

Liderar uma equipe não é ser “super-homem” ou “super-mulher”, muito pelo contrário. Mostrar-se vulnerável também faz parte do processo. O ponto central é saber reconhecer que será preciso autoconhecimento e autocuidado, isso exigirá considerar sobre aspectos cujo os quais também possa precisar de auxílio e orientação, e ter a iniciativa de buscar em sua rede de apoio as orientações necessárias para poder liderar essas ações da melhor maneira possível.

Sabemos que os desafios são muitos, mas também sabemos que esse momento tem ampliado muitas redes de solidariedade e sempre terá alguém disposto a ajudar.

Calma, transparência, diálogo e empatia serão muito importantes para direcionar o trabalho que precisará ser feito e auxiliar a instituir uma nova normalidade. Nesse contexto de crise é comum ocorrer mudanças inesperadas e aquilo que havia sido planejado pode precisar ser modificado. Aos poucos as pessoas vão compreendendo e agindo em função dessa nova dinâmica, e poder contar com o direcionamento, apoio e liderança do/da diretor(a) escolar possibilitará que a escola possa ser um espaço de união, proteção e aprendizados. Juntos será menos desafiador seguir em frente.

Cuidem-se: de si mesmos e daqueles(as) ao seu redor!

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