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por Karen Kaufmann Sacchetto

A Dislexia, ou mais especificamente Dislexia do Desenvolvimento, é um distúrbio de aprendizagem específico, de origem neurobiológica, cuja principal característica está no déficit persistente do reconhecimento de palavras, ou seja, na leitura, cujo desempenho, muito abaixo das expectativas, ocorre em um cenário em que o aluno teve uma instrução educacional adequada, além de possuir as habilidades intelectual e sensorial preservadas (PETERSON & PENNINGTON, 2012). As dificuldades na escrita, ortografia, compreensão de textos, reduzido vocabulário e, por vezes, nos cálculos são consequências secundárias que podem também estar presentes.

Para Carvalhais & Silva,

A maior parte das pesquisas sobre Dislexia do Desenvolvimento têm seu foco voltado à infância, especialmente às crianças que estão nos anos iniciais do Ensino Fundamental.  Contudo, já na Educação Infantil é possível identificar alguns comportamentos de risco, como começar a falar tardiamente, ter dificuldades em memorizar músicas ou rimas, não conseguir transmitir um recado, ter dificuldades motoras com grandes músculos, como direcionar ou receber uma bola, ou ainda apresentar comportamentos constantemente descoordenados e estabanados.

Já no início da alfabetização, é comum observar a confusão entre sílabas ou palavras com diferenças sutis de grafia, tais como a-o; c-o; e-c; f-t; h-n; i-j; m-n; v-u, etc; diferenças espaciais como b-d,  b-p,  n-u;   confusão entre letras, que possuem um ponto de articulação comum, e cujos sons são acusticamente próximos: d-t; j-x; c-g; m-b; m-b-p; v-f;  inversões parciais ou totais de sílabas ou palavras: me-em; sol-los; som-mos; sal-las; pal-pla; Adições ou omissões de sons, sílabas ou palavras: famoso substituído por fama; casa por casaco; pular uma linha, retroceder para a linha anterior e perder a linha ao ler; reconhecer letras isoladamente, porém sem poder organizar a palavra como um todo, ou então lê a palavra por sílaba, ou ainda lê o texto “palavra por palavra”; Leitura e escrita em espelho em casos excepcionais; Ilegibilidade. (CONDEMARIN & BLOMQUIST,1989). Essas características são comuns às crianças que estão em processo de aquisição na leitura e escrita. Contudo, nas crianças disléxicas essas características persistem.

O diagnóstico deve ser feito por exclusão, por uma equipe multidisciplinar que inclui primordialmente psicopedagogo, fonoaudiólogo e psicólogo, podendo ser necessárias ainda outras opiniões como de neurologistas, oftalmologistas e otorrinolaringologistas dentre outros. Os disléxicos são assim diagnosticados quando as condições intelectuais são normais, ou superiores e existem inabilidades fonológicas e/ou de memória. Em outras palavras, os disléxicos não têm rebaixamento cognitivo, ao contrário, muitas vezes apresentam quociente de inteligência (QI) acima da média. Muitos personagens famosos, nas mais diversificadas áreas, são, ou foram, disléxicos, tais como Agatha Christie, Albert Einstein, Jamie Oliver, Leonardo da Vinci, Steven Spielberg, Tom Cruise, Walt Disney, Whoopi Goldberg dentre muitos outros.

Essas pessoas, assim como todos nós, têm um perfil de aprendizagem único. É necessário diversificar as estratégias. O desenho universal para aprendizagem (DUA ou UDL em inglês) é um conceito que sugere a necessidade de elaborar objetivos de aprendizagem a partir de estratégias múltiplas e flexíveis, propiciando a aprendizagem de todos os alunos, não da mesma maneira, mas em igualdade de condições, ou seja, com equidade. Mas isso é um assunto para outo artigo. Para saber mais, vejam as sugestões de bibliografia complementar.

A falta de conhecimento a respeito da dislexia pode intensificar situações de bullying, a baixa autoestima comumente presente na vida dessas pessoas e até a depressão, em casos extremos. Por isso, reconhecer os sinais, receber um diagnóstico precoce e possibilitar a intervenção e integração de todos esses alunos é, sem dúvida, o caminho ideal. Sabemos que ainda estamos longe desse cenário, mas conhecer e pulverizar a causa já é um excelente começo!

 E você, conhece um disléxico? Que tal perguntar a ele como se sente e como ele aprende?

Karen Kaufmann Sacchetto

Ms. Distúrbios do Desenvolvimento

Esp. Distúrbios de Aprendizagem

Pedagoga – Psicopedagoga

 

Referências

CARVALHAIS, Lénya Sofia de Almeida; SILVA, Carlos. Consequências sociais e emocionais da dislexia de desenvolvimento: um estudo de caso. Psicol. Esc. Educ. (Impr.), Campinas, v. 11, n. 1, June 2007.

CONDEMARIN, Mabel; BLOMQUIST, Marlys. Dislexia – Manual de leitura corretiva. Tradução Ana Maria Netto Machado. Porto Alegre: Artes Médicas, 1989.

PETERSON, Robin L., & PENNINGTON, Bruce F. Developmental Dyslexia. Lancet, 379, 1997-2007, 2012.

Bibliografia complementar

MOOJEN, Sônia; FRANÇA, Márcio. Dislexia: visão fonoaudiológica e psicopedagógica. IN: ROTTA, Newra Tellecha; OHLWEILER, Lygia; RIESGO, Rudimar dos Santos. Transtornos da Aprendizagem: Abordagem  neurobiológica e Multidisciplinar. Porto Alegre: Artmed, 2006.

NUNES, C., Madureira, I., (2015) Desenho Universal para a Aprendizagem: Construindo práticas pedagógicas inclusivas, Da Investigação às Práticas, 5(2), 126 – 143. Disponível em . Acesso em 02 abr. 2018.

OLIVEIRA, Darlene Godoy; KAUFMANNSACCHETTO, Karen; UEKI, Karen; SILVA, Patrícia Botelho; MACEDO, Elizeu Coutinho. Análise da produção escrita de crianças com dislexia do desenvolvimento submetidas a intervenção fônica computadorizada. Rev. Psicopedagogia 2011;28(87):246-255 Disponível em . Acesso em  02  abr.  2018.