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Por Tiago Monteiro

Nós, educadores, muito falamos ou ouvimos posicionamentos sobre a escola como espaço social e de diversidade. Essa afirmação, podemos dizer, tornou-se um lugar comum e acreditamos que, de certa maneira, faz parte de nossos debates corriqueiros, seja na sala dos professores, reuniões pedagógicas, conselhos de classe, bem como outros lugares onde estamos reunidos.

Diante dessa familiaridade com esses termos, propomos, aqui, discutir um pouco mais sobre esse conceito que é diversidade na escola. Além disso, buscamos trazer aspectos que possam auxiliar você, educador, a (re)pensar um trabalho que considere a diversidade como um dos pilares de sua prática pedagógica no que se refere às relações com os alunos. Cabe ressaltar, ainda, que por ser um tema rico e desafiador, não é nossa intenção esgotar esse debate. No entanto, desejamos lançar luz sobre essa temática.

A palavra diversidade começa a ser utilizada mais frequente no fim da década de 1980, período de reabertura democrática do Brasil e elaboração da Constituição Federal de 1988. Esse termo ganha corpo a partir de outros significantes que o qualificam, como, por exemplo, diversidade cultural, diversidade religiosa e diversidade sexual. Essa abordagem mais precisa e corriqueira se dá pelo fato de que o Brasil, ao se constituir em Estado Democrático de Direito, deve assegurar, pelo próprio compromisso democrático, a igualdade e a dignidade social dos seus cidadãos, independentemente de suas crenças, cultura e orientação sexual.

A escola, por sua vez, não está isenta desse papel. Por ser um espaço coletivo onde suas normas devem estar alinhadas à Lei de Diretrizes e Bases da Educação e ao Estatuto da Criança e do Adolescente, é preciso buscar garantir que os alunos tenham seus direitos sociais garantidos. Logo, o desafio de todos nós educadores é criar estratégias, rotinas e processos pedagógicos que viabilizem uma convivência democrática, uma vez que não há escola democrática se não há respeito à diversidade (MESSIAS, 2017).

Então, surgem alguns questionamentos que, dentre eles, destacamos:

 

Abaixo, elenco em passos a fim de tratar de maneira mais didática. Todavia, esses “passos” se entrelaçam constantemente.

O primeiro passo é reconhecer que diversidade é inerente às relações sociais e que todos nós somos distintos, pois pensamos e agimos de maneiras diferentes e vivemos de modo próprio.

Pode ser que pensemos: “Ah! Mas temos muitas coisas em comum… A maioria tem esse perfil…” De fato, somos semelhantes em muitos aspectos. Contudo, isso não significa ser igual, pois somos sujeitos e temos nossa subjetividade e identidade próprias. Com certeza, temos valores e práticas sociais que se conversam, mas, ainda assim, somos diferentes. Então, é importante ter claro que, sim, somos diferentes e essa diversidade precisa ser valorizada. Afinal, que graça teria se todos fossemos iguais, não é mesmo?

O segundo passo é reconhecer que temos preconceitos! Ter preconceito é inerente a todos nós. No entanto, o importante é entender quais são as bases desses preconceitos e buscar desmistificar que o diferente é ruim, afinal, se tratarmos o diferente como algo negativo, consequentemente, nós também seremos qualificados com esse mesmo juízo de valor.

Após isso, precisamos nos policiar verdadeiramente para que nossos preconceitos não sejam base para discriminação. Esse é o terceiro passo! Vale salientar que preconceito é gerador de discriminação que, por sua vez, é violência, seja ela simbólica, estrutural, institucional, psicológica ou física (FALEIROS e FALEIROS, 2008).

Outro passo importante é se dispor a falar sobre diversidade. Ouso dizer que esse aspecto pode ser bastante desafiador, pois exige de nós uma atitude de diálogo com pessoas que pensam e agem diferente de nós, trazem consigo preconceitos e até mesmo ações discriminatórias, porém precisamos propor um canal de comunicação precisa. Pensemos nisso: o silenciamento frente a situações de preconceito e discriminação pode ser considerado como conivência. Então, é fundamental buscar maneiras para lidar com esse tipo de conflito.

Primeiramente, precisamos compreender que o diálogo é o caminho para mudança. É a partir do debate, argumentação e escuta ativa que conseguimos avançar em um processo dialógico e dialético.

Uma boa maneira de discutir sobre diversidade é trazer situações reais de preconceito e discriminação no ambiente escolar. Contudo, esteja preparado para ouvir coisas difíceis ou até mesmo lidar com silenciamentos! Ao abrir esse espaço, as pessoas vão trazer suas concepções e representações sobre determinado fato social, e pode ser desafiador não desviar o foco da discussão. No entanto, um caminho valioso é não se perder de qual é o papel da escola e suas implicações sociais, até mesmo legais, por agir de maneira que vá de encontro ao nosso dever.

Busque planejar minimamente esse momento: elenque possíveis questionamentos sobre o tema e os responda antecipadamente, leia sobre o assunto para se fundamentar e, essencialmente: respeite todos, mesmo que estejam equivocados. O processo de mudança é doloroso e exige que acionemos exatamente o que é significativo do outro (PLACCO e SOUZA, 2006).

Não nos enganemos: a geração que está sentada (ou correndo) na escola pode ser mais “aberta” do que imaginamos.

Aqui, uma sugestão que já exercitei e deu muito certo é o trabalho com projetos. Por vezes, pensamos que essa metodologia está relacionada a questões mais subjacentes ao currículo das disciplinas/áreas do conhecimento. No entanto, ações estruturadas em projetos têm muita relação com aspectos socioemocionais e o trabalho com valores.

Que tal lançar temas para debates em sala de aula? Os alunos estudam sobre o assunto, pesquisam, fazem entrevistas e depois socializam o que foi aprendido. Nesse momento, cabe a nós, educadores, mediarmos essas discussões para avançar na reflexão e mobilizá-los a compreender que a diferença existe e que ela não qualifica ser melhor ou pior!

Como dito no inicio deste artigo, não era nossa intenção sanar todas as dúvidas ou, tampouco, dar todas as respostas. Antes disso, nossa intenção é buscar criar a necessidade de nos questionarmos sobre esse assunto.  Então, convido você, leitor, a refletir sobre o que aqui foi abordado e busque amadurecer o seu papel no contexto escolar em relação ao trabalho com diversidade.

A seguir, algumas sugestões de leitura para ampliar seu repertório sobre o tema:

  • FALEIROS. V. P.; FALEIROS. E.S. Escola que protege: enfrentando a violência contra crianças e adolescentes. Brasília: UNESCO, 2008.
  • MESSIAS. T.M. Preconceito contra a diversidade sexual: análise dos relatos de duas coordenadoras pedagógicas acerca da formação desenvolvida na escola. Dissertação de Mestrado em Educação. São Paulo – Pontifícia Universidade Católica, 2017. Disponível em: http://bdtd.ibict.br/vufind/Record/PUC_SP-1_5b9fa7cdd201b3c0df7fb5ee2991086b.
  • PLACCO. V.M.N.S.; SOUZA. V.L.T. Aprendizagem do adulto professor. São Paulo: Edições Loyola, 2006.
  • RUOTTI. C.; ALVES, R.; CUBAS, V. de O. Violência na escola: um guia para pais e professores. São Paulo: Imprensa Oficial, 2006.