por Adriana Rieger

Entramos no século XXI há exatos vinte anos, vivemos diariamente um turbilhão de mudanças em vários setores da sociedade, não é mesmo? Mas será que a escola tem conseguido acompanhar estas mudanças? Volta e meia me questiono se o modelo de escola que temos é o mais adequado e se ela vem cumprindo com sua função. Qual seria o modelo de escola para este século?

De certo, a escola foi se modificando ao longo dos tempos, no entanto, sua função sempre foi a de ensinar. Ensinar o quê? Hoje, mais do que nunca, nos deparamos com a necessidade de ensinar aos alunos como desenvolverem suas capacidades intelectuais e cognitivas, mas sobretudo, apoiá-los no desenvolvimento de suas capacidades emocionais.

Em face da complexidade do mundo moderno, da forte influência das mídias e redes sociais e do conjunto de problemas sociais que afetam os diversos setores de nossas vidas, a escola precisa manter esta sua característica de ensinar. No entanto, nos deparamos novamente com a questão: ensinar o quê?

Estamos vivendo uma situação totalmente inusitada, sem qualquer precedente: o isolamento social temporário, em decorrência da pandemia do COVID 19. As mudanças se fazem iminentes e tomam conta de todos os setores de nossas vidas. A busca por alternativas, a necessidade de reinventar processos e de se reinventar frente às diferentes demandas do dia a dia, exigem criatividade, visão sistêmica e uma boa musculatura emocional.

Estamos cada qual em suas casas, mas o mundo continuou girando, o tempo continuou passando e os pilares da Educação – a instituição escolar, o educador e o aluno, foram convocados a inaugurar o ensino remoto em muitos formatos. Aqui nos deparamos com educação e processo educativo ocorrendo em todas as suas possibilidades. A escola está se reinventando para além de seus muros e reaprendendo a ser uma organização efetivamente significativa e inovadora.

É fato que temos muito o que avançar, mas já demos alguns passos. Rompemos com alguns processos previsíveis, envelhecidos e burocráticos, mas são tantos e tão seculares… Será que agora vamos realmente partir de onde os alunos estão? De suas preocupações, de suas necessidades, de suas curiosidades e construir um currículo que dialogue continuamente com o cotidiano? Será que a partir de agora vamos priorizar os alunos e não os conteúdos, e por fim despertarmos a curiosidade de aprender?

Vemos a escola incorporando cada vez mais as novas tecnologias, mas ela não pode desconsiderar o humano, a afetividade e a ética para a construção de uma nova era que exige um educador capaz de despertar nos alunos a intimidade com o movimento de pensamento reflexivo, em que os meninos e meninas precisem se sentir desafiados com idas e vindas do pensamento, com suas dúvidas, suas incertezas, suas pausas…

Não tenho dúvidas de que nós, educadores, sejamos realmente comprometidos com o  desenvolvimento e a aprendizagem de nossos alunos e que a busca de sentido no fazer  pedagógico seja uma constante, pois o que queremos é ensinar o que de fato nossos  alunos vão usar por toda a vida. Para que isso aconteça é preciso estimular a criatividade,  valorizar a multiplicidade de talentos e encorajar a cada um para que descubra seus  potenciais. 

 Agora ofereço a leitura de uma poesia de Paulo Freire, “A Escola”, em que ele define a  escola de seus sonhos, publicada na revista Nova escola de junho/julho de 2003. E fica o  convite para refletirmos sobre como deva ser a nossa escola dos sonhos e o que temos feito para construi-la.

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Adriana Rieger