por Claudia Zuppini Dalcorso

Lideranças para a educação escolar: Proposições em análise, este foi o título da minha tese de doutorado que defendi em setembro deste ano. Nela eu apresentei três anos de pesquisas, nacionais e internacionais, sobre o que existe de maior qualidade sobre formação de gestores escolares, e quando falo de gestores estou tratando sobre diretores, vice-diretores, coordenadores pedagógicos ou qualquer outro profissional que atue como liderança em uma escola.

Este tema muito me interessa, desde o momento que decidi ser diretora de escola, passando pelo momento no qual o assunto foi objeto de estudo em meus cursos de lato sensu, no mestrado e agora no doutorado.

Pesquisar, estudar, falar e escrever sobre este tema me fascina por acreditar na relevância do fazer dessa liderança escolar para a melhoria da qualidade da educação do nosso país.

Muitas pesquisas já realizadas comprovaram isso, como a vasta bibliografia de Leithwood, (1999, 2004 e 2006), Lück (2009, 2010) e Weinstein (2016 e 2017), pesquisadores dedicados que nos proporcionaram muitas reflexões importantes sobre o quanto a qualidade da liderança escolar impacta na melhoria da escola. Eles verificaram que a liderança perde apenas para o ensino ao se investigar os fatores relacionados ao impacto da aprendizagem do aluno e quando a escola está em condição de maior fragilidade é mais importante ainda a presença de uma liderança eficaz.

 

 

 

 

Minha pesquisa inicia-se com a análise do curso gestão para a aprendizagem no qual eu e Silvana Tamassia, elaboramos em 2013, e que até hoje é oferecido para gestores em nível nacional.[1]

Ao elaborar esse curso, tínhamos como elementos nossas experiências profissionais na gestão pública e o repertório teórico adquirido com os anos de estudos sobre o tema. O problema da pesquisa da minha tese, propôs-se à investigação das competências básicas para a atuação de uma prática gestora educacional eficiente. Portanto, senti a necessidade de estabelecer conhecimento e relações internacionais com outras escolas de Liderança Escolar, diante da necessidade de aprofundamento em contextos e bibliografias diferenciadas relativas a esse setor.

Sendo assim, escolhi três escolas em diferentes lugares para fazer a análise bibliográfica e a pesquisa de campo. Foram realizadas duas pesquisas de campo, na Escola de Liderança, localizada no Chile e outra em Nova York, nos Estados Unidos. A terceira escola, localizada na Inglaterra, não foi possível realizar visita de campo, sendo assim foi feita uma entrevista semiestruturada com Adrian Ingham, consultor internacional e diretor por vinte e cinco anos, em Londres.

A pesquisa tinha como objetivo colaborar com a qualificação da educação pública no nosso país, por meio de uma análise no trabalho e na formação dos gestores escolares, intentando a melhoria do desempenho das suas funções no intuito de potencializar o desenvolvimento de suas competências. Para esta análise defini como objetivos específicos:

1.  identificar contexto, metodologia e padrões de competências profissionais entre quatro cursos de formação para gestores escolares;

2. identificar e analisar possíveis pontos correlatos e outros não aplicáveis relativos aos casos das quatro escolas de líderes escolares estudados;

3. levantar proposições para inspirar projetos, cursos, currículos que tenham como público-alvo lideranças

Minhas hipóteses caminharam pela percepção de que a existência de padrões de competências para o profissional da gestão escolar fornece um conjunto de expectativas comuns para o conhecimento, competências e disposições fundamentadas em princípios de ensino e aprendizagem eficazes, e que a formação em serviço para os gestores escolares deve focar em sua prática, propiciando uma reflexão sobre o seu cotidiano.

Pude concluir que as escolas estudadas tinham como crença de que a instituição escolar é capaz de contribuir com o desenvolvimento de uma nação, por isso muitos esforços foram empenhados para a qualificação deste espaço e de seus profissionais.

Constatei que algumas políticas públicas focaram seus esforços no recrutamento, seleção e qualificação dos gestores escolares, por acreditarem no potencial que este profissional tem para propiciar o desenvolvimento de sua escola, contribuindo assim para a promoção da eficácia escolar. As escolas de gestores estudadas, do Chile, Nova York e da Inglaterra seguiram nessa direção.

A escola do Chile se encontra em desenvolvimento do seu potencial, produzindo pesquisas, cursos, instrumentos e colaborando com a formação de líderes educacionais do seu país. A escola de Nova York, também continua ativa, com uma característica mais privada, diferente da do Chile, que apesar do curso de mestrado ser pago, ainda possui subsídio do governo central.

A escola da Inglaterra, minha inspiração para iniciar esta pesquisa, infelizmente não existe mais, em seu formato original, e todo seu material foi indisponibilizado no site oficial. O governo central da Inglaterra mudou sua política educacional e o modelo inicial não era mais viável por inúmeros motivos, inclusive o financeiro.

Essas três escolas tinham em comum a crença que as ações necessárias para articular um projeto pedagógico, com os atributos democráticos, éticos e focados na aprendizagem dos alunos exigem do gestor competências e habilidades que necessitam ser desenvolvidas.

Quanto a elaboração de padrões de competências profissionais para os líderes educacionais vi como uma possiblidade de criar uma linguagem comum, um norte para o desenvolvimento de formações inicial e continuada e para avaliação de desempenho. Ao colocarmos em prática os padrões de competência demonstramos qual a escola queremos para nossa sociedade.

Uma das conclusões mais importantes foi a de que o contexto situacional inserido de cada realidade precisa necessariamente ser considerado no momento da aplicação dos padrões, pois cada contexto estudado possui suas peculiaridades para atender sua realidade.

Este esforço na elaboração ou aplicação dos padrões deve ter uma característica de co-criação com seus atores, para que ele faça sentido para os envolvidos e não se torne mais um documento fictício que não consegue traduzir os anseios de uma escola mais justa e equitativa.

A formação para os gestores escolares deve ter uma característica prática, que converse com a sua realidade profissional. Dessa forma, pude analisar nas três escolas estudadas como o trabalho da mentoria colaborou para a eficácia de seus programas.

O foco no ensino e na aprendizagem é sem dúvida uma característica que deve ser mantida quando pensamos em formação de líderes escolares como também os esforços em fazer uma gestão baseada em colaboração com o envolvimento da comunidade escolar para que a escola rompa os muros que a cerca e consiga construir uma comunidade de aprendizagem.

Esta pesquisa concluiu por fim que os profissionais da educação sobremaneira os ocupantes da gestão devem atuar como líderes escolares – assim intitulados nos cursos analisados – e, portanto, devem ser colocados em uma posição de relevância para a possibilidade de traduzir seus esforços em uma escola mais justa, equitativa e de qualidade.

Quer conhecer o trabalho na íntegra acesse o link abaixo.

https://tede2.pucsp.br/handle/handle/22609

[1] Este curso compôs um estudo que sistematizou seis experiências inovadoras de formação de líderes de escolas. Esses programas foram desenvolvidos na Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, México e República Dominicana. Posteriormente, é realizada uma análise comparativa, chegando a um conjunto de conclusões relevantes para as políticas – como a importância atribuída à metodologia sobre o conteúdo, a aliança virtuosa entre universidades, fundações privadas e o setor público, ou a falta de avaliações de impacto nas transformações geradas pelos programas de gestores de escolas. https://www.academia.edu/14846391/Experiencias_innovadoras_de_formación_de_l%C3%ADderes_escolares_en_América_Latina

Referências bibliográficas

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LÜCK H, Heloísa. A gestão participativa na escola. 3ª ed. – Petrópolis: Vozes, 2008.

________ H. Dimensão da Gestão Escolar e suas competências. Curitiba: Editora Positivo, 2009.

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WEINSTEIN José (editores); …et al. / Liderazgo educativo en la escuela: nueve miradas. Santiago: Ediciones Universidad Diego Portales: Centro de Desarollo del Liderazgo Educativo, 2016.

___________ José (editores); …et al. / Liderazgo educativo en la escuela: once miradas. Santiago: Ediciones Universidad Diego Portales: Centro de Desarollo del Liderazgo Educativo, 2017.

___________ José (editores); …et al. /Cómo cultivar el liderazgo. Trece miradas. Santiago: Ediciones Universidad Diego Portales: Centro de Desarollo del Liderazgo Educativo, 2018.

___________, José; MUÑOZ, Gonzalo Learning standards, teaching standards and standards for school principals: a comparative study. Centre of Study for Policies and Practices in Education (CEPPE), Chile OECD EducationWorking Papers No. 99 2013