por Renata Helene Ferreira Campos

No primeiro texto sobre o tema já publicado procuramos entender o cenário atual, especialmente para pais, crianças e escolas. Agora nosso foco é a reflexão sobre o papel das equipes escolares.

A tecnologia tem se constituído em uma ferramenta aliada na comunicação entre as pessoas. No caso das equipes escolares, WhatsApp, Skype, ferramentas gratuitas do Google, entre outras, são opções que temos para continuar as interações. Há um leque de opções tecnológicas que nem todos conhecem e, em nossa condição atual de isolamento, estamos tendo que aprender sobre essa diversidade de ferramentas para que possamos escolher as que oferecem melhores recursos para nossas atividades.

Nesse contexto, elegemos algumas dicas sobre o que fazer antes do retorno das aulas – e muitas delas valem para qualquer modalidade de ensino:

  – criar grupo de WhatsApp com os membros da equipe para discutir o planejamento escolar, compartilhar leituras e reflexões que ajudem a organizar as propostas pedagógicas desse momento e também a rotina do retorno das aulas;

   – fazer reuniões com os diversos segmentos da escola usando aplicativos de videoconferências para discutirem os projetos que podem ser realizados com as turmas e o papel de cada um da equipe no processo de acolhimento, que precisa considerar o bem-estar das crianças;

– elaborar projetos que possibilitem a integração entre os alunos e

– planejar uma reunião com as famílias logo no retorno das aulas para ouvir o que elas passaram durante esse período e alinhar expectativas.

Sabemos o quanto as equipes escolares estão enfrentando desafios:

  Professores estão tendo que se reinventar para atender à essa nova demanda, mudar a metodologia de ensino – e quantos fazem isso vivendo dramas pessoais, com pessoas da família sendo contaminadas ou outras tantas preocupações! – Muito estudo e preparo teórico-metodológico é necessário para continuar as aulas a distância, além de preparo emocional para continuar trabalhando no grave contexto da pandemia!

 Gestores atentos às orientações das redes de ensino, muitos também envolvidos com a organização das merendas e cestas básicas, planejando ações pedagógicas para o momento, procurando manter o contato com todos os atores escolares.

  Técnicos das Secretarias de Educação estudando as melhores formas de orientar as escolas, revendo o calendário escolar e apoiando os gestores nas demandas pedagógicas.

Por ora, uma dica para todos esses profissionais é manter os estudos, ler textos e acompanhar os vídeos de especialistas na Educação que estão tratando sobre os assuntos atuais: educação a distância, educação em tempos de coronavírus, rotina das escolas pós pandemia, dentre tantas outras reflexões que estão sendo feitas. Vale a pena organizar uma rotina de trabalho e estudo, fazer um planejamento de ações para que cada profissional consiga manter o foco nas ações prioritárias.

Quando as aulas voltarem, uma grande confraternização entre os profissionais da escola pode significar o fortalecimento dessa equipe que, para além dos saberes profissionais, precisam considerar os sentimentos, as emoções, as fragilidades individuais. Da mesma forma, uma grande confraternização com as famílias pode ser feita, abrindo espaço para compartilharem o que viveram nesse período de isolamento (penso que as famílias terão outros olhares para os professores, podendo compreender melhor os desafios que enfrentam cotidianamente). Acredito que atitudes como essas poderão fortalecer os laços entre toda a comunidade escolar.

E, finalmente, acolher os alunos e alunas proporcionando o bem-estar de todos, sem pressa de retomar os conteúdos, mas priorizando os sentimentos e as emoções. É preciso que os alunos encontrem um lugar de escuta, que possam falar, sorrir, chorar, e assim, nesse novo contexto, dialogar sobre o que aprenderam e como aprenderam.

Podemos pensar em sugestões para o trabalho no Ensino Fundamental:

 – planejar atividades diagnósticas para levantar os conhecimentos dos alunos no momento de retorno;

– retomar as atividades que foram feitas a distância como forma de mostrar aos alunos sua importância;

– não desmerecer o sentimento que os alunos trazem (é possível inclusive pensar em algum projeto de desenvolvimento socioemocional);

– pensar em como engajar os alunos nas atividades, os colocando como protagonistas das ações.

– organizar um acolhimento com os profissionais da escola, ouvindo, apoiando, confraternizando e fortalecendo os laços;

– reunir a equipe docente para rever o Projeto Político-Pedagógico e repensar coletivamente o currículo escolar;

– discutir um Plano de Ação que envolva toda comunidade escolar, analisando as possibilidades de minimizar os prejuízos causados pela interrupção das aulas.

– organizar um acolhimento com os gestores das escolas que acompanha, ouvindo, apoiando, confraternizando e fortalecendo os laços;

 – apoiar as ações das escolas por meio de visitas periódicas, ouvindo as necessidades, acolhendo as aflições, dialogando sobre os encaminhamentos de acordo com cada realidade;

– mapear as principais dificuldades de cada escola que acompanha, planejar ações específicas e intervenções pontuais com cada uma;

– contribuir com reflexões e tomadas de decisões.

Nesse momento, enquanto as escolas permanecem fechadas, vale a pena mantermos o contato e o diálogo com nossos pares e os canais de comunicação (redes sociais, fóruns online, dentre outros) que nos ajudam na partilha de opiniões e reflexões. Quanto mais compartilharmos nossas ideias e boas práticas, mais nos fortalecemos na tentativa de garantir qualidade nos trabalhos pedagógicos.

Fiquem de olho nos próximos textos onde aprofundaremos alguns desses temas!

Se quiserem saber mais sobre o planejamento de aulas virtuais para este momento, acesse nosso último texto do blog.

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