Diversidade LGTB

Por João Luiz Francisco

Os jovens estão cada vez mais cedo, e em maior número, reconhecendo-se e assumindo-se como parte da comunidade LGBTIA+. No entanto, de acordo com a Pesquisa nacional sobre o ambiente educacional no Brasil, realizada em 2016, 60% dos estudantes pertencentes a essa parte da sociedade sentem-se inseguros na escola por causa de sua orientação sexual e 43%, por causa da sua identidade de gênero.

Ao mesmo tempo, estudos também mostram que estudantes LGBTIA+ que convivem em um ambiente de não acolhimento têm desempenho acadêmico inferior àqueles que vivem em uma escola com cultura de respeito às diversidades. Para exemplificar é válido citar uma pesquisa que constatou que alunos LGBTIA+ que experimentaram níveis mais altos de preconceito estão duas vezes mais propensos a faltar às aulas. Essa pesquisa constatou que 48,3% dos estudantes LGBTIA+ que conviviam em escolas com alto nível de preconceito faltaram às aulas no período anterior à realização da pesquisa. Enquanto isso, entre os estudantes LGBTIA+ que estudaram em escolas com bom clima escolar a taxa caiu pela metade, para 20,1%.

Diversidade LGBT

Um dos principais passos para criarmos um ambiente de acolhimento para nossos estudantes é conhecê-los, reconhecendo a autenticidade de cada forma de ser, e suas infinitas possibilidades. Conhecer essa comunidade, ouvir sobre suas lutas, anseios e conquistas são atitudes necessárias para o desenvolvimento de uma escola com cultura de respeito às diversidades. Por isso, eu lhe pergunto, você sabe o significado da sigla LGBTIA+?

A seguir, convido você a conhecer o que quer dizer cada uma dessas letras, que trazem consigo a luta pelo direito de poder ser quem realmente se é.

Lésbica:  mulheres que sentem atração sexual por outras mulheres.

Gay:  homens que sentem atração sexual por outros homens.

Bissexual: pessoa que se sente atraída pelos gêneros masculino e feminino. Vale salientar que ser bissexual não é uma fase ou que a pessoa está confusa em relação a sua sexualidade.  Ao contrário, quer dizer que houve um processo de autoconhecimento e autoaceitação, no qual a pessoa conseguiu entender que é possível sentir atração por ambos os gêneros e que isso não é um desvio de comportamento.

Transgênero: dentro do contexto de transgêneros temos as pessoas transexuais e as travestis.

Transexuais são aquelas pessoas que não se identificam com o gênero que lhes foi atribuído ao nascerem. Por exemplo, mulheres transexuais são aquelas as quais foram atribuídas o gênero masculino a partir do reconhecimento de suas genitálias, mas que se identificam como mulheres. Os homens e as mulheres transexuais reivindicam o reconhecimento social e legal de acordo com o gênero que eles se reconhecem.

Já as travestis não buscam esse reconhecimento social e legal como mulheres. Elas vivenciam papéis de gênero feminino, mas não se reconhecem como homens ou como mulheres. As travestis são membros de um terceiro gênero ou de um não-gênero. O que é muito importante termos em mente é que nem todas as travestis são profissionais do sexo, isso é fruto da estigmatização a qual elas são vítimas, pois sofrem com a dificuldade de serem empregadas, mesmo que tenham qualificação.

Intergênero: a intersexualidade engloba, conforme a denominação médica, hermafroditas verdadeiros e pseudo-hermafroditas. São pessoas cujos corpos variam do padrão de masculino ou feminino culturalmente estabelecidos no que se referem as configurações dos cromossomos, localização dos órgãos genitais (testículos que não desceram, final da uretra deslocado da ponta do pênis, vagina ausente), coexistência de tecidos testiculares e de ovários.

Grupos compostos por pessoas intersexuais têm se mobilizado para que a intersexualidade não seja entendida como uma patologia, mas como uma variação. Elas pedem, também, para que não sejam submetidas, após o parto, a cirurgias ditas “reparadoras”, que as mutilam e moldam órgãos genitais que não necessariamente concordam com suas identidades de gênero ou orientações sexuais.

Assexual: pessoa que não sente atração sexual por pessoas de qualquer gênero.

+: é utilizado para incluir outros grupos e variações de sexualidade e gênero, como, por exemplo, os pansexuais.

Vale destacar que no Brasil não há consenso sobre todos os termos que discutimos aqui. O importante, como educadores(a) e sociedade, é estarmos prontos para conhecer, acolher e entender nossos estudantes LGBTIA+ e promover ambientes acolhedores para TODOS, independentemente de sua orientação sexual e identidade de gênero.

 

Diversidade LGBT

Fontes de pesquisa:

 

ABGLT – SECRETARIA DE EDUCAÇÃO. Pesquisa nacional sobre o ambiente educacional no Brasil 2016: as experiências de adolescentes e jovens lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais em nossos ambientes educacionais. as experiências de adolescentes e Jovens lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais em nossos ambientes educacionais. 2016. Disponível em: https://static.congressoemfoco.uol.com.br/2016/08/IAE-Brasil-Web-3-1.pdf. Acesso em: 15 jun. 2021.

 

CARVALHO, Mario; CARRARA, Sérgio. Em direito a um futuro trans?: contribuição para a história do movimento de travestis e transexuais no brasil. contribuição para a história do movimento de travestis e transexuais no Brasil. Disponível em: https://www.scielo.br/j/sess/a/bwWdcsDTNwS9mxzBkX6MSmx/?lang=pt. Acesso em: 15 jun. 2021.

 

EDUCA MAIS. Qual o significado da sigla LGBTQIA+? 2020. Disponível em: https://www.educamaisbrasil.com.br/educacao/dicas/qual-o-significado-da-sigla-lgbtqia. Acesso em: 27 maio 2021.

 

JESUS, Jaqueline Gomes de. Orientações sobre identidade de gênero: conceitos e termos. conceitos e termos. 2012. Disponível em: http://www.diversidadesexual.com.br/wp-content/uploads/2013/04/G%C3%8ANERO-CONCEITOS-E-TERMOS.pdf. Acesso em: 26 maio 2021.

 

MUNDOPSICOLOGOS.COM. O que significa ser bissexual? Disponível em: https://br.mundopsicologos.com/artigos/o-que-significa-ser-bissexual. Acesso em: 27 maio 2021.

 

RUSSELL, Stephen T.; HORN, Stacey; KOSCIW, Joseph; SAEWYC, Elizabeth. Safe schools policy for LGBTQ students. 4. ed. Society For Research In Child Development, 2010. 24 v.