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por Fabiano Pinto, Regina Peralta e Solange Cruz

Durante o mês de setembro, mês de prevenção ao suicídio, várias entidades incentivam e apoiam tanto as escolas, governos, empresas e ONGs a aderirem a esse movimento realizando eventos ou outras atividades com o mesmo foco. Percebemos o quanto é assustador o cenário ligado ao suicídio quando olharmos os dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), que de acordo com o Mapa da Saúde Mental publicado em 2017, o suicídio acomete mais de 800 mil pessoas em todo o mundo, sendo que é a segunda causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos. No Brasil, dados de 2016, foram registrados 11.433 casos de suicídios, o que equivale a 31 mortes por dia. Por esse motivo não devemos tratar apenas sobre o tema em setembro, mas sim em todos os momentos do ano.

Nesse sentido, em 2018 a Revista Nova Escola, em parceria com outras entidades como o Facebook e Instagram, promoveu um evento com instituições que tratam do cuidado com a saúde mental nas escolas, e nós formadores da Elos estivemos lá e aproveitamos esse espaço para compartilhar com vocês algumas aprendizagens.

 

 

De acordo com uma pesquisa realizada pela Revista Nova Escola e Fundação Lemann[1] constatou-se que 66% dos educadores já se afastaram do trabalho por conta de problemas de saúde, sendo que desses casos 53% foram por problemas de saúde mental.Um dos palestrantes, o psiquiatra infantil Gustavo Mechereffe Estanislau, coordenador do Projeto Cuca Legal que desenvolve programas voltados para as competências socioemocionais, destacou a importância de trabalharmos com duas vertentes relacionadas à saúde mental na escola: promoção e prevenção.

Para ele, promoção é fazer crescer o que temos dentro de nós. Promover as competências socioemocionais, o autoconhecimento. Para isso precisamos ter em mente a pergunta disparadora: Como estou me sentindo? De acordo com estudos realizados precisamos desenvolver em nossas crianças o hábito de verbalizar suas emoções frente ao que ocorre em suas vidas. Esse trabalho leva à prevenção: que de acordo com ele, é a capacidade de reduzir o desenvolvimento desses sentimentos de caráter negativo. Ou seja, quanto mais falarmos de nossas emoções e sentimentos, menos nos sentiremos excluídos, fragilizados ou expostos a situações que sejam constrangedoras, por exemplo. Uma possibilidade seria a realização de um trabalho com competências socioemocionais na escola, ocorrendo de maneira multidisciplinar, envolvendo vários segmentos da escola como docentes, alunos, pais e ainda profissionais da área da saúde educacional especialistas no assunto.

Outro palestrante, Antônio Carlos Braga do Centro de Valorização da Vida (CVV), destacou que 50% dos jovens entre 13 e 20 anos que procuram essa entidade, verbalizam a intenção de cometer suicídio. Antônio destacou que o CVV inicialmente teve certa resistência em trabalhar com novas ferramentas de apoio, como o chat, em seu site, por acharem que a conversa, via telefone ou pessoalmente, era mais acolhedora. E ao contrário disso, eles perceberam que o chat se mostrou como a ferramenta mais usada pelos jovens e que além disso, por parecer mais “impessoal” os jovens vão direto ao ponto. Começam as conversas dizendo: Quero me matar!

Esse depoimento, nos levou a uma reflexão sobre a forma como nós, educadores, precisamos oportunizar diferentes estratégias para que nossos jovens consigam, de alguma maneira, expressar seus sentimentos para que possamos pensar em intervenções concretas no sentido de apoiar esses jovens, a superarem essa percepção negativa sobre a vida. As escolas precisam promover projetos, ações e espaços nos quais os estudantes se sintam acolhidos e encorajados a falar sobre o que estão sentindo. O CVV disponibiliza apostilas, vídeos e material de apoio para educadores e pais. Basta baixar no site da CVV.

Um outro projeto que gostaríamos de compartilhar com os leitores desse texto, é o trabalho que a ASEC – Associação pela Saúde Emocional de Crianças vem realizando no que se refere ao desenvolvimento das habilidades socioemocionais.  A proposta dessa associação é trabalhar projetos de capacitação para que os professores possam desenvolver junto aos alunos. Para que os professores possam realizar esse trabalho com as habilidades socioemocionais junto aos alunos é preciso conhecermos as nossas capacidades/fragilidades socioemocionais e como lidamos com esses sentimentos e emoções pessoalmente, para então conseguirmos atuar com os estudantes.   Quanto mais nós educadores estivermos fortalecidos, mais conseguiremos fortalecer e apoiar o outro em suas necessidades.

Outro palestrante que queremos destacar é o diretor da Safernet, Rodrigo Nejm, que desenvolve um trabalho sobre a importância dos pais e educadores estarem atentos com o uso de internet por partes de seus filhos. Precisamos construir uma cultura de navegação segura e para isso a Safernet[1] destacou o perigo que corremos ao usar a expressão, comum entre os educadores, de que nossos alunos são uma geração de nativos digitais.  Embora os alunos tenham facilidades quanto ao uso da tecnologia é necessário monitorá-los para que possam desenvolver noções básicas de relacionamento e uso seguro dessa ferramenta que faz parte do dia a dia.  A Safernet disponibiliza em sua página orientação e apoio para as pessoas vítimas de crimes na internet sejam. Se utilizando do portal é possível realizar uma denúncia anônima e sigilosa, e o atendimento é realizado por um/uma psicólogo(a).

Além dessas iniciativa, o Facebook criou a Central de Prevenção ao Bullying com informações para os jovens, pais e educadores. Para cada segmento foi preparado um guia sobre o assunto. O Guia para educadores busca ajudar na promoção de um ambiente positivo na escola com orientações de como agir com alunos que estão sofrendo e com os alunos que estão praticando o bullying.

A própria Revista Nova Escola, trouxe em sua edição 315, o debate sobre o tema suicídio e no site foi disponibilizado o livro digital Competências Socioemocionais, lançado em parceria com o Facebook, para ajudar no debate sobre o tema que é uma das competências gerais da Base Nacional Comum Curricular.

Diante de tantas informações apresentadas nesse encontro, nós formadores não podíamos deixar de compartilhá-las juntamente com esse rico material que estão citados no texto acima e que podem ajudar a escola e a sociedade civil como um todo na discussão e prevenção sobres esses problemas que afetam a saúde mental dos estudantes e até mesmo dos educadores, bem como o clima escolar. O nosso desejo é contribuir ainda mais com a ampliação do repertório sobre o tema e abrir pontes para novos diálogos e estudos.

Um abraço carinhoso de nós para vocês!

 

Quer saber mais sobre o assunto? Acesse os materiais abaixo:

Quando as emoções entram no currículo

Como aplicar na prática as competências socioemocionais

Especial Socioemocionais

O que uma série pode ensinar às escolas sobre bullying e suicídio

 

[1] Pesquisa realizada de junho a julho de 2018 e que contou com as respostas de 4.800 educadores.

[2] Associação civil de direito privado, com atuação nacional e sem fins lucrativos ou econômicos, que existe desde 2005, com foco na promoção e defesa dos Direitos Humanos na Internet no Brasil.