por Silvana Tamassia

Estamos começando um novo ano e, com certeza, teremos muito trabalho e muitos aprendizados pela frente!

Mas, este ano já começa diferente, depois de todos os desafios de 2020, que fizeram com que nos reinventássemos e saíssemos da nossa zona de conforto, migrando do espaço 100% presencial para transitar, também, pelos espaços virtuais.

Alguns(mas) professores(as) conseguiram manter contato síncrono com os(as) alunos(as), com momentos de interação, que ajudaram a manter um pouco do clima da sala de aula. Outros(as) tiveram que planejar ações assíncronas, como a produção de materiais com os quais os(as) alunos(as) pudessem estudar de acordo com as suas possibilidades, independente do uso dos equipamentos e conexão com a internet.

Agora é hora de voltar! Mas, muitas escolas e redes de ensino, ainda estão pensando e definindo quais serão as melhores estratégias para isso: rodízio entre os(as) alunos(as), aulas presenciais em alguns dias da semana, enfim, ainda estamos neste momento de análise e definição de qual será a melhor maneira de retomarmos os estudos de maneira presencial com os(as) alunos(as).

Mas, independente deste modelo, uma coisa é certa: o engajamento dos(as) estudantes é imprescindível para recuperar o tempo perdido e, garantir o aprendizado, com foco na participação ativa dos(as) alunos(as).

Para contribuir com o seu planejamento e trazer novas reflexões sobre a prática de sala de aula, vamos apresentar a seguir algumas ideias para a gestão deste espaço, de modo a garantir o engajamento de todos(as) os(as) alunos(as).

Pensando na participação ativa dos(as) alunos(as) nos momentos dialogados da aula, uma boa estratégia, conhecida no livro Aula Nota 10[1] como De surpresa, é fazer perguntas aos(as) alunos(as) sobre o assunto em questão de maneira aleatória. Ou seja, você faz uma pergunta que ajude a turma a entender melhor o conteúdo discutido, mas não diz o nome de quem irá responder, nem chama o(a) primeiro(a) que levantar a mão. Em vez disso, o(a) professor(a) faz a pergunta e, ao final, diz o nome do(a) aluno(a) que deverá respondê-la. Quais são as consequências do desmatamento das matas ciliares, Júlia?

Ao fazer isso, o(a) professor(a) deixa todos(as) os(as) alunos(as) na expectativa de serem chamados e impulsiona todos(as) a pensarem sobre a pergunta. Para maximizar essa participação por parte dos(as) alunos(as), ele pode até dar um breve intervalo de alguns segundos entre a pergunta e o nome, para que os(as) alunos(as) possam ativar seus conhecimentos sobre o assunto, preparando-se para responder. Assim, mesmo os que não terão que responder em voz alta, deverão pensar na resposta, proporcionando maior aprendizado para todos.

Surge, então, um novo problema: e se o(a) aluna(a) chamado não souber responder a questão?

Então, o(a) professor(a) pode fazer uso de outra estratégia chamada Sem escapatória. O nome parece um pouco estranho, mas a ideia é mostrar aos(as) alunos(as) que nesta aula, todos(as) serão chamados a participar e a aprender, que não há escapatória para o aprendizado!

A ideia é simples. Sempre que o(a) professor(a) fizer uma pergunta e o(a) aluna(a) não souber responder, ele passa a outro(a) aluna(a) que possa ajudar respondendo à questão. Depois disso, ele volta ao(à) aluno(a) inicial que não soube responder e pergunta a ele(a): agora você já sabe? Você pode responder, então?

Mesmo que, num primeiro momento, o(a) aluna(a) acabe apenas “repetindo” o que o(a) colega anterior falou, o(a) professor(a) vai estimulando a participação e o aprendizado de todos(as) e deixando claro a importância de estarem atentos(as) ao que está sendo discutido na aula.

Veja um exemplo em ação acessando o link: https://youtu.be/t8jqg3YmZQM?list=PLiRvxKpahS16V0N1RElCLvmHVi0-7Gt2Z

 

Outro ponto que pode favorecer a participação de mais alunos na aula é dar tempo para que todos(as) pensem após realizar uma pergunta.

Em vez de já escolher entre os que rapidamente levantam a mão, dê alguns segundos após a sua pergunta estimulando os(as) alunos(as) a pensarem na resposta.

O(a) professor(a) pode, inclusive, estimular os(as) alunos(as) com frases do tipo: Quem mais sabe a resposta? Quero ver mais mãos levantadas…

Esta ação simples pode contribuir muito com aqueles alunos que até querem participar, mas que não são tão disponíveis. Eles sabem que alguém mais rápido já virá com a resposta pronta, e isso faz com que se acomodem em sua condição, sem nem tentar ou sem sequer pensar sobre a questão levantada.

O objetivo com esta estratégia é estimular cada vez mais que todos(as) os(as) alunos(as) estejam realmente ativos durante a aula.

Em geral, os(as) alunos(as) participam pouco durante as aulas. Quando isso acontece, geralmente, é na interação com o(a) professor(a) que vai trazendo novos conceitos e realizando questões para estimular a participação dos(as) alunos(as) ou em pequenos grupos com os colegas, durante a realização de alguma atividade.

Entretanto, outros momentos potenciais acontecem durante a aula e podem ser utilizados de modo a levar os(as) alunos(as) a ouvir criticamente a opinião dos(as) colegas e se posicionar com relação ao que está sendo discutido.

Como isso acontece?

Ao ter algum comentário feito por um aluno como resposta a um questionamento realizado, o(a) professor(a) pode chamar outro colega e dizer “Kátia, você concorda com o Alex? Em que ponto você discorda dele?”

Ao elaborar argumentos para concordar ou discordar do(a) colega, o(a) aluna(a) precisa colocar em jogo os seus conhecimentos e levantar hipóteses sobre o assunto, elaborando seu pensamento de maneira estruturada.

Deste modo, todos(as) ficam atentos, pois podem ser chamados pelo(a) professor(a) para posicionar-se diante dos demais alunos da turma e ainda desenvolvem o seu potencial cognitivo.  

 

Durante a aula, os(as) alunos(as) têm momentos de maior engajamento e outros de menor engajamento. Mudar as estratégias durante o período, ajuda os(as) alunos(as) a se manterem ativos durante toda a aula.

Uma boa estratégia, também, é criar um certo suspense, ou seja, “anunciar” o que vem por aí….

Esta é uma estratégia para deixar todos(as) curiosos(as) com o que o(a) professor(a) planejou e que irão desenvolver em determinado momento da aula.

Mais uma vez, o objetivo é criar um clima que promova o engajamento de todos(as), na expectativa das atividades que virão pela frente.

Concluindo…

As sugestões aqui indicadas, tem como objetivo aumentar o engajamento e participação dos(as) alunos(as) durante a aula, potencializando suas aprendizagens.

A intenção é, ao mesmo tempo, ter os(as) alunos(as) participando da aula, atentos tanto aos comentários dos colegas, quanto às falas do(a) professor(a), e possibilitar maior desenvolvimento cognitivo de todos os(as) alunos(as).

Se você já utiliza estas estratégias, faça delas ações permanentes em sua rotina de sala de aula. Se ainda não utiliza, pense na possibilidade de incluí-las como estratégias que possam qualificar a aula e garantir a participação de todos!

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[1] LEMOV, Doug. Aula Nota 10: 49 técnicas para ser um professor campeão de audiência. Tradução de Leda Beck, consultoria e revisão técnica: Guiomar Namo de Mello e Paula Louzano. São Paulo: Da Boa Prosa: Fundação Lemann, 2011.