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Marly Savioli – Formadora Elos Educacional

O profissional da educação, figura importantíssima na formação dos sujeitos em nossa sociedade, atua em um mundo complexo cheio de controvérsias. Atende estudantes de todos os níveis sociais, vindos de culturas diversas, com experiências pessoais que afetam sua visão de mundo e, consequentemente, seu comportamento; às vezes, contribuindo com o ambiente saudável em sala de aula, às vezes impedindo-o.

Diante de diversos desafios a desmotivação acontece. Estima-se que cerca de um terço dos professores deixa o ensino durante os primeiros cinco anos, e que 15% o fazem durante o primeiro ano de experiência profissional (MARK E ANDERSON, 1985 apud JESUS, 1995). A insatisfação com o trabalho leva os professores a querer abandonar a profissão, o que significa romper com sonhos, ideais, tempo e empenho.

Mesmo com esse quadro bastante desmotivador, encontram-se também professores exercendo a profissão com exaustiva dedicação. Mas, mesmo insatisfeito com suas condições de trabalho, o que motiva esses professores a continuar buscando formas de superar as dificuldades da profissão?

Encontram-se muitas teorias sobre a motivação do trabalhador em geral, mas a motivação do professor, em especial, é discutida muito superficialmente, e poucos são os encaminhamentos sugeridos por estudiosos da situação em pauta. O educador, em qualquer segmento de ensino formal, representa um ser humano ímpar em subjetividades, inter-relações e construções de saberes. Sempre em desenvolvimento, compõe em si valores, hábitos, concepções e ações educativas que o identificam como tal.

É imprescindível que os gestores propiciem um ambiente saudável a professores e alunos, pois, como afirma Kernberg:

“ pessoas psicologicamente perturbadas podem ter um desempenho perfeitamente normal em organizações com estrutura e lideranças sadias. Em contrapartida, profissionais perfeitamente sadios e ajustados, ao trabalharem em organizações regressivas, com estrutura e liderança inadequadas, podem rapidamente regredir e adotar comportamentos doentios.”(2000, P.235)

É preciso mudar a realidade do professorado, pensando na sua importância social, para que seu trabalho tenha qualidade. Mas, qual o caminho para motivar o professor?

É recomendável que, o primeiro caminho, seja a preocupação da escola em oferecer um ambiente saudável, permitindo que o professor se expresse sem medo, apoiando-o da mesma forma que se espera o seu suporte ao estudante com dificuldade. É importante, inclusive, haver espaço para trocas, de modo que o professor possa ouvir e ser ouvido por seus parceiros, e seja estimulado a conhecer-se e gostar-se, pois a autoestima é fator primordial para se realizar qualquer trabalho.

Segundo Huertas (2001), em seu livro Motivacion: querer aprender, o processo motivacional desenvolve-se quando o indivíduo encontra motivos, significados. Os motivos e os significados variam de indivíduo para indivíduo, dos quais advém a importância do autoconhecimento do profissional, pois é esse autoconhecimento que traduzirá a motivação do professor.

É importante também que os gestores se preocupem em:

  • possibilitar capacitação e constante reflexão a todos os envolvidos com a educação dentro do espaço escolar;
  • reconhecer e elogiar o trabalho desenvolvido, elevando a autoestima do corpo docente;
  • ser otimistas e apoiar os profissionais durante as dificuldades;
  • mostrar sensibilidade frente às dificuldades vivenciadas, e contribuir para vencê-las;
  • ser éticos e demonstrar equidade em suas atitudes;
  • criar, periodicamente, situações de descontração, objetivando aliviar o estresse.

Todas essas questões são importantes – eliminar o desconforto e acrescentar fatores motivantes – mas o mais importante será o professor conhecer-se internamente, verificar suas vocações, definir se o caminho da educação é realmente sua realização, pois um trabalho tão importante precisa de pessoas comprometidas.

O fator mais motivante, identificado em pesquisas, é a participação e a aprendizagem do aluno, que depende da ação docente. Um motiva o outro. O professor, com seu planejamento, interesse, dedicação e amor, é capaz de mudar a vida de um estudante. O estudante, com o seu interesse, respeito e dedicação, é capaz de motivar seu professor. Um depende do outro. Alguém deve dar o primeiro passo. O adulto, o profissional; o lado reconhecidamente como responsável é o professor, não há dúvidas. O professor que tem suas necessidades básicas satisfeitas, que trabalha em uma instituição que o apoia e o estimula, deve ser capaz de criar motivação própria e nos alunos.

Deste modo, podemos transformar o espaço da escola num ambiente acolhedor e propício para o aprendizado de todos!

 

BIBLIOGRAFIA:

HUERTAS, J. A. Motivación: querer aprender. Buenos Aires: Aiqué, 2001.

JESUS, S. N. A Motivação para a profissão docente. Coimbra, 1995. Tese (Doutourado) Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação, Universidade de Coimbra.

KERNBERG, O. F. Ideologia, conflito e liderança em grupos e organizações. Porto Alegre. Artes Médicas, 2.000.