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por Ana Luzia da Silva Vieira

No ambiente escolar, conseguir a participação de professores e equipe gestora para refletir e decidir os caminhos que a escola deve seguir tem sido uma prática comum. No entanto, como mobilizar todos da comunidade escolar, incluindo funcionários, comunidade externa e famílias, para que consigam se envolver ativamente, participar e se verem como corresponsáveis no processo educativo?

A prática da participação não acontece de um dia para outro, mas é possível, desde que os meios democráticos prevaleçam nas ações do dia-a-dia na escola, envolvendo discussões, reflexões, tomadas de decisões coletivas e divisão de tarefas.

Observamos que um ambiente favorecedor de participação é aquele que possibilita a socialização de saberes, respeita à diversidade de opinião, dialoga e escuta atentamente a comunidade escolar, definindo, assim, de forma coletiva, os caminhos que a escola deve percorrer.

Os professores participam de reuniões semanais com a Equipe Gestora, fato esse que facilita esse processo de participação. Entretanto, os demais funcionários, pais, alunos e comunidade externa, por vezes, são colocados em um papel quase que exclusivamente de executores de tarefas e, em muitos casos, não encontram espaços de criação e recriação para se envolver com as propostas pedagógicas da escola.

Em outras realidades, observamos novas perspectivas de participação. Vários segmentos da comunidade escolar são convidados a fazer parte de reuniões coletivas, especialmente em início de ano letivo, porém, com o risco que não compreender os motivos pelos quais foram chamados, participando, assim, apenas como ouvintes.

Frente a esse cenário, o que pode ser feito? Como conseguir envolvimento e engajamento de todos? Como possibilitar que os todos os segmentos da comunidade escolar tenham uma visão ampla do contexto educativo, compreendendo a importância de sua corresponsabilidade no favorecimento de condições para proporcionar a aprendizagem dos alunos?

São muitas as ações possíveis de serem realizadas no ambiente escolar, mas abordaremos, a estratégia de Rodas de Conversa.

Rodas de Conversa, como o próprio nome já diz, são reuniões com pequenos grupos, conduzidas pela Equipe Gestora, porém usadas para compartilhamento de informações, valorização dos saberes individuais e coletivos, bem como para aprofundamento de temas pertinentes à Educação.

Com o intuito de que as Rodas de Conversa aconteçam, o primeiro passo é marcar uma reunião na qual tenham representantes de todos os segmentos da comunidade escolar. Talvez, para algumas escolas, o horário noturno seja uma boa opção, para outras, o vespertino, todavia o importante é a participação dos diversos segmentos. Um desafio que a equipe gestora pode encontrar é buscar dentro da rotina de trabalho de todos os funcionários um horário todos que participem dessas trocas de experiências. Para isso, ter claro os horários e possibilidades dos profissionais, articulando-os ao planejamento da proposta, é essencial!

A periodicidade fica a critério da gestão. Por exemplo: uma vez a cada 15 dias, por uma (01) hora, intercalando as equipes, para que nenhum setor da escola fique “descoberto”. Nesse momento, mais uma vez o planejamento é fundamental!

Mesmo que a princípio você ache que em sua escola não seja possível essa ação, sugiro que avalie a dinâmica escolar de forma integradora. Sempre há uma alternativa para reunir os representantes de cada segmento para uma boa conversa. A gestão democrática exige esforços e disponibilidade de todos, não é mesmo? O importante é que essas Rodas de Conversa sejam garantidas na rotina escolar e com dias e horários predeterminados para que todos possam participar.

Uma vez tendo os espaços e tempos definidos para a realização dessa ação, caberá à Equipe Gestora organizar pautas formativas cujas discussões e reflexões possam partir de caracterizações individuais e do próprio segmento. Tais caracterizações propiciam um processo de reconhecimento individual, compreensão das funções exercidas por cada integrante, valorizando o potencial de cada um dentro do contexto escolar e vinculando-as com a função da escola, que é social e educativa.

A partir dessas caracterizações, pode-se dar início ao estabelecimento de metas para cada segmento. Nesse momento, é importante levar a equipe a refletir sobre a qualidade do trabalho realizado, os desafios a serem enfrentados, analisando as forças e as fraquezas dessa equipe e tirando novos encaminhamentos de trabalho.

Deve-se também suscitar discussões sobre as práticas desenvolvidas pelos segmentos e pela escola de uma forma geral, aproximando e significando as diferentes concepções que direcionam o trabalho pedagógico. Isso possibilitará maior compreensão de qual escola se está falando e que tipo de aluno se pretende formar. Para isso, valem fotos de situações da rotina, pequenos textos, trechos de filmes com uma boa conversa e reflexão. O importante é possibilitar que as pessoas falem e mostrem o que sabem!

O uso da avaliação estratégica FOFA é muito eficiente para este trabalho. Com ela, você consegue otimizar o trabalho no grupo, engajando-os em um diagnóstico da unidade escolar, levando-os a mapear suas Fraquezas, Oportunidades, Forças e Ameaças. 

Além dos aspectos acima abordados, as Rodas de Conversa poderão ser muito úteis para conseguir maior engajamento da equipe com relação aos projetos coletivos desenvolvidos na escola. A partir do momento que os objetivos propostos para esses projetos sejam de conhecimento de todos, a comunidade escolar terá condições de contribuir com sugestões e participar nas divisões de tarefas, das tomadas de decisão, de acordo com os papeis e potenciais de cada um.

Na medida em que essa prática se tornar frequente, a Equipe Gestora terá conquistado novos parceiros de trabalho e se surpreenderão com a forma que enriquecem as discussões pedagógicas, pois esses momentos de compartilhamento tendem a estimular o protagonismo e a corresponsabilidade de todos. O que acham?

Vale lembrar que, uma vez que o diálogo seja estabelecido nessas reuniões, os gestores têm o desafio de gerenciar conflitos e divergências, afinal as Rodas de Conversa são fóruns propícios para que possam expressar suas opiniões. Cabe aos gestores fazer as devidas mediações, esclarecer, ponderar e alinhar todas as participações, garantindo que o trabalho de todos os segmentos esteja a favor de uma Educação de qualidade.

O compromisso com a participação será estabelecido aos poucos. Para isso a escuta atenta, o diálogo, o respeito, a observação e os registros serão fundamentais para começar a desenhar o Projeto Político Pedagógico com a participação de todos!