por Silvana Tamassia

 

Nestas últimas semanas de confinamento, em meio à crise do coronavírus, uma enxurrada de lives, videoconferências e diversas transmissões ao vivo chegaram em nossas telas por meio de diferentes redes.

Só nesta semana devo ter participado de pelo menos 6 eventos destes, em diferentes contextos.

Além desses, também acompanhei algumas dessas situações no papel de mãe e fiquei muito pensativa sobre as diferentes estratégias utilizadas.

Posso dizer que, em algumas delas, o principal objetivo era trazer informação e opiniões de especialistas sobre o tema. Mas, quando trabalhamos com os alunos, tanto crianças quanto jovens e adultos, nosso objetivo é mais do que transmitir informações: é gerar aprendizado.

Por isso, transformar as aulas em transmissões ao vivo, nem sempre é a melhor solução.

Segundo Moore e Kearsley (2008 apud BEHAR, 2013, p. 44), “(…) a educação a distância possui especificidades que não permitem a transposição da prática pedagógica presencial para aquela realizada a distância”.

Por isso, é preciso refletir sobre as especificidades dessas estratégias em ambientes virtuais. Para que as aulas atendam seus objetivos e os alunos, de fato, aprendam é importante engajá-los durante estes momentos.

Depois dessas experiências e a partir dos conhecimentos adquiridos ao longo do trabalho com educação a distância nos últimos anos, trago aqui algumas sugestões para esses momentos, considerando o uso dos diferentes recursos tecnológicos disponíveis.

Sabemos que nem todos os alunos têm acesso aos dispositivos tecnológicos e à internet de qualidade.

Algumas redes de ensino têm criado diversas possibilidades para resolver esta questão: compra de chips para os alunos ou pais, parcerias com instituições privadas para fornecimento de internet gratuita e parcerias com canais de TV para transmissão de aulas, além das estratégias analógicas como o desenvolvimento e distribuição de apostilas aos alunos.

Entretanto, vamos trazer aqui algumas sugestões para os casos em que este acesso é possível, ainda que com algumas dificuldades:

 

 

Planejar é sempre o primeiro passo para uma aula em qualquer ambiente, seja ele presencial ou virtual. Ao definir o seu objetivo, fica mais fácil escolher as estratégias mais adequadas.

Se o que você pretende é apenas transmitir algumas informações ou apresentar um conteúdo aos alunos, você pode gravar um vídeo e enviar a eles por meio de diferentes plataformas disponíveis, como por exemplo, o WhatsApp. Não faz sentido fazer uma transmissão ao vivo se não haverá interação, pois isso gera pouco engajamento. Neste caso, o vídeo pode ser mais útil já que cada um pode assistir no momento que for mais adequado e rever quantas vezes for necessário.

 

 

Uma boa situação é propor aos alunos a leitura de um livro que eles tenham disponível (mesmo que em arquivo digital) e agendar um horário para que possam comentar sobre o que foi lido, trazendo opiniões sobre o texto, o autor, e o que puderam aprender com a leitura.

Se não conseguir organizar a leitura prévia, faça a leitura de um texto curto ao vivo e, em seguida, ouça a opinião dos alunos sobre o texto lido e de que maneira ele se conecta com cada um deles.

 

 

Diversas situações do cotidiano também podem ser usadas quando pensamos no estudo remoto. Você pode propor aos alunos, por exemplo, a realização de um experimento simples em casa, como, observar o que acontece quando a água ferve ou, mesmo, observar o pôr do sol e ver em que posição ele se põe todos os dias. Depois, podem se reunir virtualmente para discutir o que observaram e de que maneira isto tem a ver com os temas trabalhados, por exemplo numa aula de ciências ou geografia.

 

A BNCC propõe trabalhar com diferentes competências, como a empatia e a cooperação. Então, proponha encontros virtuais nos quais os alunos possam comentar sobre como estão se sentindo neste momento e acolher os sentimentos dos colegas, colocando-se no lugar do outro. Além disso, podem comentar sobre iniciativas de cooperação e ajuda ao próximo que tiveram conhecimento e, se for o caso, pensarem de que maneira podem ajudar também.

Assim como nas aulas presenciais, esses momentos também podem gerar maior engajamento se os alunos forem protagonistas e não meros expectadores.

Do ponto de vista dos educadores, com certeza esse processo pelo qual estamos passando irá gerar muito aprendizado para nós, pois tivemos que sair da nossa zona de conforto e nos reinventar.

E, como dizia Albert Einstein “A mente que se abre a uma nova ideia, jamais volta ao seu tamanho original”.

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Referências bibliográficas 

BEHAR, P. A. (Org) Competências em Educação a distância. Porto Alegre: Penso, 2013.

BRASIL. Base Nacional Comum Curricular: educação é a base. Brasília: SEB, 2017.

MARQUES, J. R. Uma mente que se abre – o que a frase de Einstein nos ensina? Disponível em https://www.jrmcoaching.com.br/blog/uma-mente-que-se-abre-o-que-frase-de-einstein-nos-ensina/ Acesso em 15 de abril de 2020.