por Claudia Zuppini Dalcorso

Fui convidada para encerrar o ciclo de textos do nosso blog de 2020, e fiquei muito reflexiva sobre o que poderia dizer para o nosso público; me peguei pensando sobre quem é realmente o nosso público: educadores do nosso país.

Num país tão grande e diverso como o nosso, não seria tão simples dizer que todos enfrentaram os desafios da pandemia da mesma forma. 

E quais foram esses desafios? Para mim foram uns, para quem me lê, outros, com certeza. Tivemos pessoas que foram trabalhar home office, e não tiveram muitas perdas além de ter que se adaptar ao distanciamento e lidar com as questões emocionais que isto trás, mas também tivemos pessoas que perderam seus empregos, que perderam entes queridos, que se divorciaram, que adoeceram, que passaram necessidades financeiras, todos estes diferentes problemas trazem consigo diferentes desafios.

Diferentes desafios, em situações e recursos diversos, nos fizeram vivenciar este momento tão atípico de maneiras variadas: alguns angustiados e outros indiferentes, alguns fortes outros frágeis, alguns com suporte outros desamparados, alguns utilizando o recurso tecnológico para superar o distanciamento e outros sem acesso por falta de condições financeiras, por não saber utilizá-la ou até mesmo por estar em uma região em que o acesso ainda não chegou.

Enfim, são inúmeras variáveis que não nos permitem generalizar considerações. Porém, posso afirmar que passar por todas estas novas situações não significa que eu aprendi com elas. Cada indivíduo, dentro da sua consciência, possui conhecimentos sobre diversos aspectos. O simples fato de nascer e viver é suficiente para inserir elementos na mente de uma pessoa, que podem ser mais ou menos desenvolvidos pela experiência de cada um. No entanto, a aprendizagem significativa, que é capaz de transformar nossas atitudes ocorre quando o indivíduo é capaz de receber estas novas informações e racionalizar sobre elas, de forma a construir uma interação com o que já se sabe previamente e o que acabou de conhecer. Esta racionalização passa pela minha percepção emocional, pelas minhas atitudes e pelos processos cognitivos desenvolvidos.

Diante disso, a pergunta que devemos nos fazer é o quanto eu consegui refletir sobre tudo o que me aconteceu, o quanto disso eu associei com aprendizados anteriores e prospectei para ser uma pessoa melhor, na minha vida pessoal, profissional, com a minha família, amigos, na sociedade?

Para isso, não basta passar, temos que refletir, nos colocar no lugar do outro, olhar para o lado e ver que nossa dor é a dor de muitos, menor, maior ou diferente, e que a vida continua. 

O ano está findando, porém, nossa situação de pandemia não acabou, muito ainda temos que enfrentar.

Mas não vamos perder a clareza e sobriedade de que estamos apenas mudando de um mês para o outro e não existe passe de mágica, o que existe é trabalho, persistência e luta, e como estas são características presentes nos educadores destes país, minha esperança fica firme que seremos capazes de superar e, realmente, aprender e nos tornar educadores melhores com tudo que passamos.

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