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por Claudia Zuppini

“Acho muito valioso conhecermos outras realidades para tentarmos entender melhor a nossa. Quando vou para outro país e observo seu contexto, sua história e reflito sobre isso tudo, sempre me pego pensando porque aqui no Brasil não conseguimos fazer igual ou melhor. Tenho muito orgulho do meu país e fé que vamos superar nossos desafios, mas também tenho preocupações que me mobilizam para procurar caminhos.”

A visita ao Chile foi com o foco numa dessas intenções. Fomos conhecer como eles selecionam seus diretores e um curso de formação de gestores escolares em uma Universidade que abriga em seu interior um “Centro de formação para Líderes escolares”, é isso mesmo que você está lendo: um centro de formação para líderes escolares… Algo que me encanta e no maior dos meus devaneios, anseio por algo parecido em nosso país.

Pude constatar a importância que a política educacional do Chile dá para os profissionais da gestão escolar, acreditando no poder de transformação da realidade escolar que este profissional possui.

Eles criaram um Marco para a Boa Liderança[1], o qual tem como objetivo difundir um conjunto de critérios para o desenvolvimento profissional e avaliação de desempenho.

Isso mesmo “avaliação de desempenho”, no Chile os gestores escolares fazem avaliação de desempenho uma vez por ano e se, por dois anos consecutivos, não estiverem de acordo com critérios mínimos, eles são desligados da função. Também é necessário fazer um “contrato de metas” a serem atingidas durante a sua gestão e é isso que baliza e orienta suas ações futuras. No entanto não é apenas cobrança, eles possuem um salário digno e formação adequada.

O Marco para a Boa Liderança traz 5 dimensões da prática que são as seguintes:

  • Construir e implementar uma visão estratégica compartilhada.
  • Desenvolver as competências profissionais.
  • Liderar os processos de ensino e aprendizagem.
  • Gerenciar a coexistência e a participação da comunidade escolar.
  • Desenvolver e gerir o estabelecimento escolar.

O que eu destaco é o caráter pedagógico que é colocado para a equipe gestora, que é vista como uma liderança pedagógica além das suas atribuições administrativas. O foco é a aprendizagem do aluno por isso tanta preocupação com o acompanhamento pedagógico.

A seleção de diretores é outro ponto que demonstra a preocupação da política educacional com a profissionalização destes educadores.

Eles já possuem um processo de seleção para a alta gestão que é um exemplo de lisura para a escolha mais assertiva para cargos estratégicos no governo. Há dois anos os gestores começaram a compor esse grupo selecionado com critérios rígidos, transparentes e fundamentados.

Ao visitar a Secretaria Civil, órgão hoje responsável por este processo, eles iniciaram a conversa discorrendo os seus valores.  Fiquei impressionada com a intensidade do discurso que quer nos deixar claro os reais objetivos do processo de seleção comprometido com a democracia, transparência e legitimidade.

O ponto máximo da visita ao país foi conhecer o Centro de Formação e seus protagonistas e poder participar de duas atividades: uma aula e um workshop sobre “Como desenvolver a confiança na escola”.

Eles levam muito a sério a elaboração de um mapa estratégico para guiar a ação dos gestores e a observação de sala de aula. Vocês acreditam que eles possuem um aplicativo que organiza as visitas de observação em um site, no qual tanto gestores como professores podem aproveitar as funcionalidades da plataforma.

Temos muito que se aprofundar nos materiais que trouxemos e nas experiências vividas, mas já deu um gostinho de quero mais, afinal, o Chile é tão próximo e parecido com o Brasil em vários aspectos, e devo confessar que me senti em casa andando pelas ruas de Santiago.

Deixo aqui o site com todos os materiais, para que possam, junto com a nossa equipe, se aprofundarem nestes temas.

Até a próxima,

[1] [1] Marco para la Buena Dirección (MBD) – Estándares para Directivos