(11) 2669-1270

Compartilhar:

por Margarete Ticianel

Na sociedade atual a informação é instantânea, acelerada, e muito acessível. As redes sociais nas palmas das mãos de crianças e adolescentes em seus smartphones modificaram a forma de pesquisar e de como ter o primeiro contato com um novo conceito. O que antes demorava horas para conhecer, hoje leva segundos, o que era novidade vinda da fala do professor agora é apenas outra forma de ouvir o que já se sabe.

Portanto, o importante na escola, atualmente, é saber o que fazer com tantas informações, como estabelecer relações e a aplicabilidade, para que elas deixem de ser apenas informações e passem a ser um novo conhecimento. Para isso é necessário outro olhar do educador sobre o processo de aprendizagem.

Ele não é mais o detentor do saber, não transmite conhecimento e muito menos é o centro do processo. A passividade do aluno no desenvolvimento escolar passa a ter cada vez menos resultados concretos na sociedade moderna.

Não é de hoje que as teorias da aprendizagem nos trazem a necessidade de interação social e o aluno protagonista como principais elementos da construção significativa do conhecimento. Podemos citar, por exemplo, Lev Vygotsky (1896-1934), John Dewey (1934) David Ausubel (1918-2008) e Paulo Freire (1921-1997). Todas essas abordagens têm como centro do processo o aluno e, para que ele construa novos saberes partindo das informações que já fazem parte do seu repertório, há a necessidade de vivenciar situações, resolver problemas, planejar e executar projetos, aprender fazendo e, assim, ser protagonista da aprendizagem.

Como ferramenta para transformar as aulas em experiências vivas vem as Metodologias Ativas, que tem como princípio estimular a autoaprendizagem e a curiosidade do estudante para pesquisar, refletir e analisar possíveis situações para tomada de decisão, sendo o professor um facilitador desse processo.

Então, as Metodologias Ativas servem como recurso didático base para uma formação crítica e reflexiva.

Atualmente, muitas leituras equivocadas colocam as Metodologias Ativas como dependentes da tecnologia e, por essa razão, desistem-se de trabalhá-las em sala por falta de estrutura, mas na verdade o que é necessário para o desenvolvimento dessas práticas é que o aluno seja colocado como protagonista do seu percurso de aprendizagem, com envolvimento direto, participativo e reflexivo em todas as etapas do processo.

Ao planejar qualquer atividade com Metodologias Ativas os objetivos devem estar claros para o professor e para os alunos. O aluno tem que ter plena consciência do que se espera dele no final daquele momento de aprendizagem. Trazemos alguns exemplos de metodologias ativas que ajudam muito na aprendizagem dos alunos de qualquer nível/ ano e que podem ser aplicadas sem a necessidade de uma grande estrutura tecnológica e envolve o educando em um processo reflexivo de sua aprendizagem. Veja alguns exemplos:

 

Sala de aula invertida

 

A sala de aula invertida é uma estratégia que faz parte do conceito de ensino  híbrido. No ensino híbrido, os alunos têm a oportunidade de estudar, pelo menos em parte, por meio do ensino on-line, com algum elemento de controle do estudante sobre o tempo, o lugar, o caminho ou o ritmo. Além disso, esse estudo deve acontecer em parte em casa e em parte em um ambiente supervisionado por um professor, integrando essas aprendizagens de modo que elas se complementem formando um curso integrado e não apenas estudem um conteúdo antecipadamente e voltem para a sala para uma aula tradicional que repita aquilo que ele já aprendeu nestes estudos.

Também conhecida como Flipped Classroom, a sala de aula invertida é uma estratégia pedagógica em que os modelos tradicionais de aula e lição de casa são alterados, permitindo ao estudante se preparar e antecipar os estudos antes mesmo de chegar na sala de aula.

Pequenas aulas em vídeo são assistidas pelos alunos em casa antes da aula, enquanto o tempo da aula é dedicado para exercícios e discussões. Os vídeos podem ser criados pelo professor ou os vídeos disponibilizados na rede. O vídeo pode ser substituído por uma gravação em formato de áudio. Essa estratégia possibilita que os alunos com mais dificuldade vejam o vídeo várias vezes para poder entender e registrar suas dúvidas, o professor é um mentor orientador que durante a aula partirá dos apontamentos e questionamentos trazidos pelos estudantes.

Também podem ser orientados para pesquisas em diversos sites a partir de um roteiro elaborado pelo professor.

 

Rotação por estações

Nessa estratégia, os estudantes são organizados em grupos (essa separação deve ser de acordo com o objetivo proposto, ela pode ser por afinidade, por grupo colaborativo ou por perfil de trabalho) cada um dos quais realiza uma tarefa de acordo com os objetivos do professor para a aula em  andamento.

É de crucial importância que as atividades propostas sejam diversificadas, com o uso de recursos diversos, em espaços de aprendizagens diferentes e que proporcione a possibilidade de que os alunos aprendam entre eles.

É importante ressaltar que o trabalho em cada estação deve ser independente das outras. Ou seja, precisa ter começo, meio e fim, sem exigir um exercício prévio para sua compreensão, pois cada grupo vai começar em uma estação diferente e circular a partir dela, é preciso que os grupos sejam capazes de resolver cada desafio isoladamente.

Além disso, no conceito de rotação por estações, uma dessas estações precisa ter algo relacionado à tecnologia.

O tempo é muito importante para a atividade de rotação e deve ser respeitado criteriosamente.Esse aspecto organiza o desenvolvimento das rotações o faz com que os alunos fiquem focados em realizar a atividade dentro do tempo determinado. Ao pensarmos em uma aula de 50 minutos, geralmente as estações têm 15 minutos cada.

 

Metodologia a partir de perguntas

Apesar de muitas pessoas acreditarem que as metodologias ativas estão diretamente ligadas ao uso da tecnologia, isso não é verdade, como mencionado no início do texto. Diversas estratégias podem ser usadas para colocar o aluno ativamente no processo de aprendizagem.

Outro exemplo de como podemos estimular os alunos a pensarem criticamente e colocá-los como protagonista nas aulas é o uso de perguntas estratégicas. As perguntas estimulam os alunos a pensar criticamente sobre o conteúdo a ser desenvolvido na sala de aula e podem ser planejadas pelo professor ou pelos próprios alunos, de acordo com a estratégia escolhida.

De acordo com Lemov (2011, p. 255), “Uma boa sequência de perguntas permite a construção do domínio sólido até mesmo de ideias complexas”. Afirma ainda que o questionamento em sequência funciona como a construção de “degraus” que, se forem sólidos, podem levar os alunos a se tornarem hábeis nesta escalada, desenvolvendo seu pensamento crítico e sua participação ativa neste percurso.

Há diversos propósitos no uso de perguntas, uma delas é estimular os alunos a “raciocinar” sobre o que está sendo estudado, ou seja, ao invés de receber o conceito “pronto” do professor, ele mesmo pode construí-lo por meio da reflexão e confrontação de ideias.

Segundo Masetto (2003, p. 90), para desenvolver este tipo de metodologia o professor precisa ter uma atitude ativa e dinâmica, pois precisará não só planejar antecipadamente este trabalho, como intervir durante a realização da aula para que, de fato, os alunos possam se desenvolver plenamente.

Diversas estratégias podem ser utilizadas para este trabalho. Uma sugestão é fazer uso de uma técnica de perguntas chamada pequenos grupos para formular questões. Ela pode ser usada para aprofundar os conhecimentos, compreender um assunto, desenvolver habilidades de trabalhar em grupo, ouvir e dialogar com os colegas.

Para isso, os alunos deverão receber com antecedência o texto a ser utilizado na aula. Cada um deverá trazer duas ou três perguntas “inteligentes”, ou seja, perguntas que tragam dúvidas ou aspectos importantes que gostariam de entender com maior profundidade com base no texto lido. Isso significa que as respostas não podem estar todas já descritas no material, pois, neste caso, a atividade não contribuiria para o aprofundamento do tema.

Durante a aula, formam-se grupos com cinco alunos cada um e terão 15 minutos para ler todas elas e deverão escolher duas delas ou elaborar duas novas questões a partir das perguntas trazidas pelo grupo.

Cada pergunta deverá ser escrita em uma folha em branco, de maneira legível e com o nome do grupo que a elaborou.

Iniciam-se, então, as rodadas: o grupo que formulou as perguntas passa as questões para o grupo do lado, sem serem respondidas. O grupo que recebê-las terão 15 minutos para respondê-las. Em seguida, as perguntas respondidas passam para o outro grupo que terá dez minutos para ler as perguntas, entendê-las, ler as respostas e redigir a sua própria resposta, que poderá ser concordando com o primeiro, complementando ou corrigindo, sem riscar nada, apenas escrevendo abaixo da primeira resposta. Dependendo do tempo, passa-se a folha para mais um ou dois grupos, repetindo a mesma orientação.

Terminada a rodada a folha é devolvida ao grupo que elaborou as questões para analisar todas as colocações feitas pelos grupos anteriores e, então, elaborar a sua resposta final, concordando ou não com o que foi escrito anteriormente.

Em seguida, as respostas serão socializadas com toda a classe e o professor poderá complementar ou esclarecer algum ponto, podendo ampliar a discussão com toda a classe. Ao final, ele poderá falar ainda sobre a pertinência das perguntas e o quanto conseguiram trazer dos aspectos importantes do tema.

 

Concluindo…

Esses são apenas alguns exemplos para ajudá-lo a pensar nas possibilidades de mudar as estratégias da sua aula trazendo cada vez mais o aluno como protagonista deste processo.

É importante, ainda, que as estratégias de metodologias ativas propiciem na aprendizagem, espaço para o aluno usufruir de sua autonomia e reflexão, momentos de metacognição, como o registro reflexivo, e o processo autoavaliativo.

Certamente, todo esse processo levará os alunos a serem cada vez mais protagonistas da sua própria aprendizagem e o professor poderá perceber os avanços nos resultados do seu trabalho.

Leia também:

Literacia Digital

Tecnologia: novos tempos, novos espaços