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Por Janaina Sousa

Volta às aulas é sinônimo de fim de férias, fim das viagens, fim do intenso convívio com a família, fim de um período de atividades sem muito compromisso com horário, mas acredite, não é o fim de tudo! Estamos apenas no início de um novo ano, uma nova etapa, uma nova oportunidade de fazer a diferença e fazer diferente.

Este início geralmente sugere uma reflexão sobre os processos realizados no ano anterior e um planejamento dos próximos passos. Nesses momentos de avaliação, uma reclamação recorrente é a falta de participação das famílias na vida escolar dos alunos.

Se esse é um problema presente em todas as escolas, em todos os níveis de ensino, em todas as redes, haverá uma solução?

Certamente não há uma mágica, uma única ação que promova a mudança milagrosa do dia para a noite, mas podemos pensar em ações que auxiliem a escola a se organizar como instituição, para estabelecer ou reforçar uma relação de parceria com as famílias de seus alunos.

Você já se perguntou em que medida sua escola promove ações para ensinar as famílias a participar?

Ensinar? Então as famílias precisam ser ensinadas a fazer o seu papel?

Em primeiro lugar, é preciso refletir sobre o que entendemos como papel das famílias na escola. Se esperamos responsáveis que sigam os costumes das gerações anteriores e sejam “convocados” a comparecer para receber reclamações sobre o comportamento dos alunos ou, na melhor das hipóteses, assistir suas apresentações na festa junina, formatura ou datas comemorativas, não é preciso ensinar, basta convocar. Entretanto, se não é esse tipo de participação que almejamos, se queremos famílias que expressem suas opiniões, auxiliem nos processos e participem das decisões, nossas ações precisam ser diferentes. Se queremos comportamentos mais ativos, precisamos deixar de ver as famílias como apenas expectadoras e essa mudança de cultura exige um processo de ensino que as leve a compreensão do seu papel, pois nem sempre o que parece obvio, de fato o é.

Que tal algumas dicas para auxiliar que esse processo seja tão leve e gostoso como as férias (lá do início do texto)?

Tenha altas expectativas em relação à participação das famílias e seu papel de potencializar o aprendizado dos alunos, afinal, nenhum time ganha um campeonato se começar achando que não vai dar certo;

 

Discuta com seus pares se compartilham a mesma visão acerca da participação desses responsáveis, se já promoveram ações exitosas ou se possuem ideias a serem discutidas. A avaliação do Plano Político Pedagógico (PPP) da escola é um ótimo momento para analisar a concepção de família que a escola adota, se existem objetivos previstos para ampliar a participação das mesmas e se as ações para os alcançar estão sendo colocadas em prática (ou que falta para isso);

 

 Ouça as famílias, pois somente conhecendo as suas necessidades, conseguirá discutir com seu grupo ações coletivas que visem auxiliá-las naquilo que precisam. Muitas ações isoladas são feitas, mas é importante que o grupo todo tenha clareza de como a escola encara o tema e qual é o papel de cada ator dentro desse processo de conquista. A elaboração, tabulação e análise de um questionário que permita conhecer melhor essa “extensão” do aluno pode ser uma boa estratégia.

 

Na primeira reunião com as famílias, deixe claro o quanto a parceria é importante, pois na escola, além de ensinamentos, são transmitidos valores, que devem estar alinhados aos da família para transmitir a segurança necessária ao aprendizado dos alunos.

 

Aproveite também a oportunidade para dizer aos responsáveis como podem orientar os alunos em relação à higiene, alimentação, aceitação e valorização de si e dou outro e também no desenvolvimento de sua autonomia em atividades simples, como, por exemplo, amarrar um tênis.

Dê dicas de como atividades cotidianas, como elaborar uma lista de compras, escrever um bilhete, preencher um cartão de loteria, ler e fazer uma receita de um bolo, anotar um número de telefone ou a placa de um carro, fazer a conta de quanto vai gastar no supermercado (e tantas outras) podem ser ao mesmo tempo uma gostosa forma de interação familiar e um complemento pedagógico.

 

Use redes sociais, como whatsapp ou facebook, para criar grupos fechados com os pais e postar fotos de atividades realizadas pelos alunos, comunicados e mensagens gravadas pelas próprias crianças. Nesse caso, é importante deixar bem claros os combinados de utilização para não ter surpresas, mas muitos professores têm adotado a ideia com sucesso. Posso afirmar, por experiência própria, que foi uma iniciativa que trouxe muitos benefícios no estabelecimento de uma relação de respeito e confiança com as famílias dos meus alunos, permitindo, inclusive, que pais analfabetos ouvissem os comunicados ao invés de lê-los, ou seja, propiciando a inclusão de alguém que talvez não participasse da vida do filho por não compreender o que lhe era solicitado de forma escrita.

 

Além das reuniões de Conselho, convide representantes das famílias para participar das Reuniões Pedagógicas que tenham temas onde possam dar suas opiniões, discutir, compreender processos e ajudar nas decisões.

Há muitas outras ações que certamente surgirão na análise de cada realidade, mas o importante é ter clareza de que o saudosismo não movimenta nosso caminhar. Então, ao invés de pensar em como eram as famílias do passado, que tal olhar para frente e pensar sobre como será a participação das famílias em sua escola em um futuro bem próximo? Para isso, dependem as ações presentes.

Longe de ser um manual, esse texto chega ao fim, mas tem a intenção de ser o início de uma reflexão sobre esse tema que sempre gera tantas discussões.

Que todos os seus inícios (ou reinícios) sejam recheados de boas ideias, bons sentimentos e principalmente de bons planejamentos que permitam que seu ano letivo seja muito produtivo!

 

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