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Quando o assunto é aprendizagem escolar sabemos que os docentes preocupados com a qualidade e o resultado de seu próprio trabalho, planejam suas aulas, se importam com os conteúdos que precisam ser cumpridos, buscam estratégias e recursos para a aula, além de participarem de cursos voltados para a formação continuada. Apesar de todo esse engajamento para ensinar, quantos são os alunos que diariamente, nas salas de aula, não atingem o conhecimento esperado?

O fato é que quando esses profissionais da educação se deparam com esta situação de alunos que não atingem a aprendizagem esperada, variadas são as sensações manifestadas: preocupação, incapacidade, decepção, aversão ao aluno e outras. Mas será que os professores estão realmente conseguindo ensinar seus alunos ou tudo não passa de uma mera transmissão de conhecimentos?

Não é de hoje que especialistas e pesquisadores da área da educação, psicologia e saúde buscam de fato compreender como ocorre a apropriação do saber. Sendo assim, conforme descreve Relvas (2011) é fundamental entender o conceito da Plasticidade cerebral, sua contribuição para a prática do professor em sala de aula, bem como as dimensões cognitivas, motora, afetiva e social no redirecionamento do aluno.

A plasticidade cerebral consiste em uma reorganização da estrutura neural do indivíduo ao viver uma experiência nova, ou seja, a capacidade das sinapses, dos neurônios ou de regiões do cérebro de alterar suas propriedades através do uso ou estimulação. A partir disso, é possível afirmar que o aprendizado não ocorre de maneira automática, pois a aquisição de informações depende de conhecimentos já existentes, ou seja, os “conhecimentos prévios” e também de uma carga considerável de estímulos para que esse aprendizado permaneça em atividade constante, fortalecendo e desenvolvendo as redes neuronais do cérebro.

Segundo Schumacher (2006) os conhecimentos prévios assumem um papel fundamental na aquisição da aprendizagem, pois quanto mais organizados eles estiverem, mais fácil será o aprendizado. Por este motivo, é importante o professor saber quais são os conhecimentos prévios e conceitos cognitivos que seu aluno possui para que a partir daí possam ser utilizados os métodos pedagógicos mais adequados de acordo com o nível de aprendizado retratado pelo aluno.

Nesta perspectiva, o professor que assume o papel de mediador e estimulador na aprendizagem do aluno, poderá garantir a qualidade no ensino e resultado em sala de aula. Entretanto, se for precária a qualidade da mediação, as sinapses provocadas no cérebro deste aluno também serão ineficientes durante esse processo de aprender.

Para Gardner (1995) as pessoas possuem interesses, habilidades diferentes e por isso não aprendem da mesma maneira. A repetição de uma atividade, a retomada de um conceito sempre do mesmo modo ou práticas repetitivas do professor, ativam sempre as mesmas conexões sinápticas em nosso cérebro, o que não favorece a aprendizagem do ponto de vista da memória (não criam novos engramas¹) comprometendo a assimilação do conteúdo pelo aluno.

Estudos da Neurociência afirmam que ao apresentarmos um conteúdo novo para o aluno, uma atividade desafiadora que provoque suas emoções de maneira satisfatória, imediatamente será ativada a sua amígdala cerebral², enviando impulsos para o hipocampo, afirmando ser algo interessante e significativo. Essa informação será enviada automaticamente ao lobo frontal para ser arquivada na memória, tornando-se um conhecimento adquirido.

A partir do momento que o professor passa a compreender o funcionamento do sistema nervoso e do processo de aprendizagem, ele percebe a necessidade de sempre inovar, instigar, propor atividades diferenciadas e que façam sentido para o aluno, desenvolvendo melhor seu trabalho, podendo intervir de modo efetivo em sua prática, para um desempenho progressivo do aluno.

No atual contexto que a educação vem sendo instituída torna-se essencial ter clara a importância de desenvolver o potencial do aluno como um todo, embasado em suas reais condições, visando sempre a expansão de sua aprendizagem em todas as áreas do conhecimento, respeitando suas limitações e levando em consideração seus aspectos físicos, cognitivos, emocionais, linguísticos, afetivos e sociais. Afinal, é de extrema importância que o professor proporcione a seus alunos práticas eficazes de ensino.

Referências Bibliográficas

GARDNER, Howard. Inteligências Múltiplas: a teoria na prática 1. ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 1995

RELVAS, Marta Pires. Neurociências e transtornos de aprendizagem: as múltiplas eficiências para uma educação inclusiva / Marta Pires Relvas – 5 ed. – Rio de Janeiro: Wak Ed., 2011.

SCHUMACHER, Ralph. Tudo neuro por aí?. Viver Mente & Cérebro. São Paulo, Ano XIV, n.157, p.62-65. Fevereiro/2006.

[1] Impressão deixada nos centros nervosos pelos acontecimentos vivenciados, ativa ou passivamente, pelo indivíduo: conhecimentos adquiridos, convicções, cenas assistidas, traumas, hábitos, condicionamentos etc. e que corresponde à fixação de uma lembrança. Os engramas são passíveis de evocação, de recordação espontânea no sono ou vigília ou, ainda, de associação com eventos atuais, podendo levar o indivíduo a um comportamento automático, reflexo ou voluntário.

[2] A amigdala é uma pequena estrutura do sistema nervoso em forma de amêndoa, importante na aquisição de informações de perigo, processamento, elaboração e produção de respostas aos agentes estressores.